Moradores e familiares de pessoas sepultadas nos cemitérios municipais de Plataforma e Periperi, no subúrbio de Salvador, denunciam uma série de problemas estruturais, sanitários e de manutenção nas unidades, com relatos de descarte de caixões a céu aberto, mato alto, túmulos danificados, presença de insetos, mau cheiro e dificuldades de acesso às áreas de sepultamento.

No Cemitério Municipal de Plataforma, imagens registradas no local mostram dezenas de caixões já utilizados acumulados em uma área aberta, nas proximidades do muro que separa o espaço da Rua David Ferreira, sendo que parte do material aparece coberta por lonas, enquanto outra permanece exposta ao tempo, situação que tem causado preocupação entre moradores do entorno.

Quem vive próximo ao cemitério afirma conviver diariamente com mau cheiro e proliferação de insetos, além do receio de possíveis riscos à saúde pública, especialmente pela forma como os resíduos cemiteriais estariam sendo armazenados dentro da unidade.

Especialistas alertam que o descarte inadequado de materiais provenientes de exumações pode gerar impactos sanitários e ambientais, principalmente quando há exposição ao solo, acúmulo de água, presença de vetores e possibilidade de contato com resíduos contaminados.

Além da situação envolvendo os caixões, moradores também reclamam da falta de conservação do cemitério, com mato alto, túmulos quebrados e presença de animais, cenário considerado ainda mais grave por familiares que procuram o local em momentos de dor para sepultar ou visitar entes queridos.

No Cemitério Municipal de Periperi, as reclamações também envolvem mato alto, estruturas deterioradas e dificuldades de acesso às áreas de sepultamento, com relatos de escadarias danificadas, rampas em más condições e caminhos tomados pela vegetação.

Familiares afirmam que a situação compromete a segurança durante os enterros, já que o acesso precário pode provocar quedas e acidentes, principalmente no transporte de caixões até os locais de sepultamento.

A situação gerou reação política e foi criticada pelo deputado estadual Robinson Almeida, que classificou o cenário como uma demonstração de abandono da gestão municipal e afirmou que o estado dos cemitérios públicos revela falta de respeito com os soteropolitanos, especialmente em um momento delicado como a despedida de um familiar.

Segundo o parlamentar, o problema nos cemitérios municipais de Salvador expõe a ausência de cuidado com áreas essenciais da cidade e reforça críticas à administração do prefeito Bruno Reis, ligado ao grupo político de ACM Neto.

Em nota, a Secretaria Municipal de Ordem Pública informou que tem conhecimento das demandas relacionadas aos cemitérios municipais e afirmou que vem adotando medidas administrativas e operacionais para solucionar os problemas identificados.

A pasta informou ainda que a capinação das áreas é realizada pela Empresa de Limpeza Urbana de Salvador, conforme cronograma periódico, com ciclos médios de execução a cada 30 dias.

Sobre os caixões e resíduos provenientes de exumações, a secretaria declarou que o material permanece armazenado temporariamente nas unidades cemiteriais, seguindo procedimentos operacionais vigentes, até ser encaminhado para aterro sanitário em caçambas da prefeitura.

A Semop também afirmou que o aumento da presença de mosquitos costuma ocorrer durante períodos chuvosos e que o descarte irregular de materiais por moradores no interior dos cemitérios agrava a situação.

Ainda segundo a secretaria, a gestão municipal mantém articulação com o Centro de Controle de Zoonoses para aplicação de produtos de combate a mosquitos transmissores de arboviroses e segue buscando soluções, em conjunto com outros órgãos, para garantir manutenção, salubridade e funcionamento adequado dos cemitérios municipais.

Salvador possui 21 cemitérios, sendo dez administrados pela prefeitura, dez privados e um de responsabilidade do Governo do Estado.

Fonte: jornalista Mateus Oliver