O cenário político baiano subiu de temperatura nesta quarta-feira após o deputado estadual Sandro Régis, integrante do União Brasil, reagir de forma incisiva às críticas desferidas por Eden Valadares, secretário-geral nacional de comunicação do PT, contra o senador Ângelo Coronel.

A controvérsia teve início após declarações de Valadares sobre a movimentação de Coronel, que se aproximou da oposição depois de ser preterido na formação da chapa majoritária petista para as eleições de 2026, que deve seguir um modelo restrito ao núcleo do partido.

Segundo Régis, a postura adotada pela cúpula petista demonstra uma profunda falta de respeito com aqueles que outrora foram pilares de sustentação do grupo, evidenciando uma lógica de descarte que ignora a trajetória de aliados históricos assim que estes deixam de ser convenientes aos planos imediatos de poder da legenda.

Em sua análise sobre o episódio, o parlamentar destacou que o comportamento de Eden Valadares reflete uma cultura de autoritarismo e soberba que parece ter se enraizado na gestão petista ao longo das últimas décadas no estado.

Sandro Régis argumentou que o Partido dos Trabalhadores age como se fosse o proprietário exclusivo do destino da Bahia, tratando lideranças expressivas como o senador Ângelo Coronel de forma pejorativa ao classificá-las como figuras do passado no momento em que decidem buscar novos caminhos políticos.

Para o deputado, essa tentativa de controle absoluto sobre o protagonismo estadual acaba por anular a diversidade de forças políticas e ignora o fato de que um projeto de governo sólido deveria ser construído através de um diálogo amplo e não por imposições de uma estrutura partidária centralizadora.

Régis ainda enfatizou que esse distanciamento da realidade e o excesso de confiança, que ele classificou como “estar de salto alto”, podem ser o prenúncio de um desgaste eleitoral irreversível para o grupo governista liderado por Jerônimo Rodrigues.

O deputado afirmou que a crescente rejeição observada em relação à atual administração estadual é um reflexo direto dessa incapacidade de conviver com o contraditório e de compartilhar os espaços de decisão com outras frentes políticas.

Ao tratar antigos companheiros de jornada como “notícia velha”, o PT estaria, na visão de Sandro Régis, enviando um sinal perigoso a todos os seus interlocutores, reforçando a percepção de que o compromisso do partido está voltado exclusivamente para a manutenção de sua própria hegemonia, custe o que custar para a democracia e para o respeito institucional na Bahia.

Fonte: Jornalista Mateus Oliver