A saída do prefeito Zé Cocá da Prefeitura de Jequié para consolidar sua pré-candidatura ao cargo de vice-governador da Bahia ocorre sob uma forte nuvem de controvérsias financeiras e críticas à sua responsabilidade fiscal.

Dados extraídos de relatórios de transparência e acompanhados pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-BA) revelam que a cidade enfrenta um endividamento alarmante, com um rombo que ultrapassa a marca dos 300 milhões de reais acumulados apenas durante o seu mandato.

Esse crescimento exponencial da dívida pública, que saltou para um total de 405 milhões de reais, levanta sérios questionamentos sobre a herança administrativa que o gestor deixa para o seu sucessor e para a população jequieense.

​Enquanto as contas públicas mergulham no vermelho, a prioridade nos investimentos em comunicação institucional seguiu o caminho inverso, com cifras que espantam pelo volume e pela aplicação.

A gestão de Zé Cocá destinou mais de 18 milhões de reais para propaganda e marketing, uma estratégia que, segundo opositores, serviu mais para a construção de uma vitrine política pessoal do que para o real esclarecimento da sociedade.

Entre os gastos que mais chamam a atenção nos registros oficiais, figuram pagamentos exorbitantes por peças simples de comunicação digital, o que acendeu o alerta de órgãos fiscalizadores sobre a moralidade e a eficiência no uso do erário frente às carências básicas do município em setores como saúde e infraestrutura.

​A movimentação política de Zé Cocá para o cenário estadual também é vista com ceticismo por antigos aliados, que o acusam de utilizar a estrutura e as obras financiadas pelos governos estadual e federal como trampolim eleitoral, sem o devido reconhecimento às parcerias que sustentaram sua administração.

O distanciamento de figuras como o governador Jerônimo Rodrigues e o ministro Rui Costa, após ter se beneficiado de milhões em investimentos para Jequié, rendeu ao prefeito rótulos de ingratidão e deslealdade política nos bastidores da Assembleia Legislativa da Bahia.

Críticos afirmam que o “modelo Jequié” de gestão, na verdade, esconde uma fragilidade fiscal que pode comprometer a credibilidade de sua chapa na corrida pelo governo baiano.

​Diante do cenário de insolvência que se desenha, instituições como a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e o Ministério Público devem ser provocadas a analisar a legalidade desse endividamento súbito e a proporcionalidade dos gastos publicitários em um período de crise financeira municipal.

A população de Jequié, que agora lida com os reflexos de um comércio pressionado e serviços públicos sob o peso da dívida, aguarda respostas claras sobre como o município honrará seus compromissos.

Enquanto isso, Zé Cocá foca sua energia na articulação política estadual, deixando para trás um rastro de incertezas contábeis que promete ser o principal tema de debate em sua jornada eleitoral pela Bahia.

​Fonte: Jornalista Mateus Oliver