O município de Una está diante de um dos maiores escândalos de gestão de sua história recente, envolvendo uma trama que mistura o uso de “empresas de papel” e uma audaciosa usurpação de poder no seio da prefeitura.

A investigação que se iniciou com o jornalismo do Portal Una na Mídia revela que a empresa Atacado de Alimentos e Limpeza LTDA tornou-se a peça central de contratos que somam o montante astronômico de R$ 1.612.147,72, mas a realidade física da contratada é um deserto operacional.

Ao confrontar os dados oficiais do Contrato nº 000007/2025 com o endereço declarado na Rua Dades Queiroz, nº 94, no Centro de Una, o que se encontra é o vazio absoluto, pois não há galpões, não há caminhões e não há qualquer sinal do atacado que deveria fornecer toneladas de materiais de higiene.

No endereço que consta formalmente no CNPJ, a situação é ainda mais bizarra, funcionando apenas uma modesta casa de produtos rurais, sem qualquer estrutura para suportar um contrato de tamanha envergadura, o que levanta a suspeita imediata de uma operação de lavagem de dinheiro público.

Ao ser analisado pelo jornalista Mateus Oliver, a gravidade do caso atingiu proporções criminais com a descoberta de que as assinaturas que oficializam o contrato oficial, que é o documento jurídico que dá vida à despesa pública foram falsificadas ideologicamente, pois embora o atual prefeito em exercício seja Rogério Borges, quem assina o documento como autoridade máxima do município é o ex-prefeito e atual chefe de gabinete, Tiago Birschner.

Assinatura do Ex-prefeito aparece de forma fraudulenta no contrato

Ao se intitular “Prefeito” no corpo de um contrato, Birschner não apenas ignora a hierarquia democrática, mas também configura, em tese, o crime de falsidade ideológica e usurpação de função pública, manobra que sugere a existência de uma “prefeitura paralela”, onde o ex-gestor continua operando a caneta oficial à margem da lei, validando negócios bilionários com empresas que sequer existem fisicamente no local informado.

Oliver ainda constatou que a figura de Nileyde Ramos de Almeida, ex-servidora de Itabuna e representante da empresa, surge como um elo suspeito nessa engrenagem, tendo conquistado dezenas de licitações em Una sem possuir qualquer histórico comercial prévio na cidade.

Enquanto o fiscal Gabriel Rusciolelli da Silva deveria atestar a entrega de montanhas de papel higiênico, desinfetantes e lixeiras de grande porte, a ausência de um estoque real da empresa torna a execução do contrato um mistério contábil.

O silêncio da gestão de Rogério Borges diante da utilização de sua autoridade por terceiros e do escoamento de verbas para uma sede fantasma coloca o governo sob o microscópio do Ministério Público.

Fonte: Jornalista Mateus Oliver