Um documento sigiloso da Polícia Federal revela detalhes de supostas reuniões clandestinas entre o ex-deputado federal Uldurico Júnior, preso por ligações com o crime organizado, e um líder de facção dentro do Conjunto Penal de Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia.

Alvo da Operação Duas Rosas, o ex-parlamentar foi preso na última quinta-feira (16), em um hotel de Praia do Forte, sob suspeita de receber R$ 2 milhões em propina para facilitar, em dezembro de 2024, a fuga de 16 detentos do presídio de Eunápolis, incluindo integrantes do Comando Vermelho.

De acordo com as investigações, Uldurico Júnior teria realizado ao menos três encontros secretos dentro da unidade prisional com Ezequiel Alves Alcântara, apontado como líder da facção Gueto e responsável pelo tráfico de drogas na região, as reuniões ocorreram na sala do então diretor geral da unidade, Rodrigo Tavares Figueiredo Costa.

Segundo a PF, os encontros aconteceram durante o período em que o ex-deputado disputava a prefeitura de Teixeira de Freitas, com o objetivo de buscar apoio eleitoral em áreas dominadas pela facção criminosa.

Depoimentos de policiais penais indicam que as reuniões ocorriam, em geral, no horário do almoço e duravam entre 40 e 60 minutos, conforme os relatos, o ex-deputado chegava acompanhado de outras pessoas e, em algumas ocasiões, utilizava veículos da própria unidade prisional.

As investigações apontam ainda que o acesso de Uldurico Júnior ao presídio ocorria sem o cumprimento dos protocolos legais, como apresentação de documentos e registro no Sistema de Administração Penitenciária, prática considerada irregular, já que até autoridades com prerrogativa legal precisam cumprir esses procedimentos.

Agentes ouvidos pela PF afirmaram que o ex-deputado contava com facilitação da direção da unidade, sendo recepcionado diretamente na entrada pelo então diretor, sem passar pelos trâmites normais, o que, segundo os relatos, gerava constrangimento entre servidores que se sentiam obrigados a cumprir ordens superiores.

Os depoimentos também indicam que policiais penais eram acionados para escoltar o líder da facção até a sala onde ocorriam os encontros, que, em algumas ocasiões, contavam com a presença do então diretor adjunto, Ualace Moreira da Cruz, apontado como possível cúmplice no esquema.

O caso segue sob investigação e aprofunda as suspeitas de envolvimento de agentes públicos com o crime organizado na região.

Fonte: jornalista Mateus Oliver