As obras do Veículo Leve sobre Trilhos de Salvador também estão sendo utilizadas para ampliar a infraestrutura urbana da Cidade Baixa e do Subúrbio Ferroviário, além da implantação do novo sistema de transporte, o projeto contará com quase 17 quilômetros de macrodrenagem destinados à captação e condução da água da chuva em regiões que há décadas enfrentam alagamentos durante períodos de maior intensidade das precipitações.

Segundo informações divulgadas pela Companhia de Transportes do Estado da Bahia, o sistema terá 16.996,10 metros de extensão e será distribuído por trechos considerados estratégicos entre Calçada, Comércio, Ilha de São João, BR-528, Baixa do Fiscal e Retiro, a intervenção prevê a instalação de estruturas subterrâneas capazes de receber grandes volumes de água e encaminhá-los para canais naturais e pontos de deságue na Baía de Todos-os-Santos.

A estrutura será formada por galerias de concreto armado, canalizações, aduelas, bueiros celulares, bocas de lobo, caixas coletoras e poços de visita, além da recomposição das vias após a realização dos serviços, na prática, a água acumulada em ruas e calçadas será captada por dispositivos instalados ao longo do percurso e direcionada para galerias maiores, reduzindo o tempo de permanência da água nas vias e os transtornos enfrentados por moradores, comerciantes, pedestres e motoristas.

O maior trecho da nova rede de drenagem será implantado ao longo da BR-528, conhecida como Estrada do Derba, onde estão previstos mais de 6,4 quilômetros de estruturas, entre a Baixa do Fiscal e o Retiro serão executados mais de 4,4 quilômetros, no trecho entre Calçada e Comércio serão implantados mais de 3,3 quilômetros, enquanto a ligação entre Calçada e Ilha de São João terá mais de 2,7 quilômetros de intervenções.

A presidente da CTB, Eracy LaFuente, destacou que o VLT representa uma intervenção mais ampla do que a construção de um novo modal de transporte, segundo ela, a implantação da macrodrenagem busca enfrentar uma reivindicação antiga da população da Cidade Baixa e do Subúrbio, regiões que convivem com interrupções de vias, prejuízos ao comércio, dificuldades de deslocamento e riscos para moradores durante as chuvas mais fortes.

Os impactos esperados vão além da melhoria da circulação urbana, a nova infraestrutura poderá reduzir prejuízos em áreas comerciais, facilitar o acesso a serviços públicos, evitar atrasos no transporte coletivo e oferecer mais segurança para pedestres e motoristas, principalmente em locais onde o acúmulo de água costuma comprometer a mobilidade e o funcionamento de atividades essenciais.

Moradores antigos das regiões beneficiadas relatam que os alagamentos fazem parte da rotina há muitos anos, especialmente em períodos de chuva intensa, com ruas tomadas pela água e dificuldades para quem precisa sair de casa, trabalhar ou acessar o transporte público, a expectativa é que a nova estrutura contribua para diminuir esses episódios e melhorar a qualidade de vida da população.

A eficiência do sistema também dependerá da manutenção permanente das galerias, da limpeza das bocas de lobo, da inspeção dos poços de visita e da conservação dos pontos de deságue, medidas consideradas fundamentais para evitar obstruções e garantir o funcionamento adequado da rede após a conclusão das obras.

Fonte: jornalista Mateus Oliver