Gandu segue com o abastecimento de água suspenso em vários bairros, mesmo após à conclusão do serviço de instalação da nova adutora de água bruta, finalizado na noite do último sábado, (29). Os primeiros indícios de que o fornecimento seria retomado foram registrados já no domingo, (30), em alguns poucos bairros localizados na parte baixa da cidade. Já na segunda, (31), e terça-feira, (01/02), vídeos compartilhados em grupos no WhatsApp mostravam o que parecia à normalização do serviço, com água caindo forte ao ponto de reservatórios serem abastecidos em algumas casas.

 Só que nesta quarta-feira, (02), novas reclamações surgiram e, onde o abastecimento parecia ter sido retomado, o volume da água começou a ser reduzido, enquanto que em vários outros bairros sequer caiu mesmo após o serviço finalizado e prazo estipulado pela própria Embasa. Até ontem carros-pipas abasteciam casas no bairro das Casas Populares, enquanto que nos bairros Polivalente, Portelinha e João Assis o fornecimento tem ficado cada hora mais fraco.

 Um flagrante feito na manhã desta quarta-feira, (02), por Marilton Batista, do Informe Digital, mostrou a que ponto chegou o desespero da população Ganduense por causa da falta de água. Uma mulher, residente na localidade conhecida como “Alto dos Esquecidos”, no bairro Renovação I, colocou à própria vida em risco para implorar pelo abastecimento de água onde mora. O flagrante foi registrado bem em frente à prefeitura de Gandu, na rua Manoel Libânio. Ela parou em frente a um caminhão-pipa que transportava água e seguia para algum outro local. Na cobrança, ela disse que só sairia da frente do veículo se à água fosse levada para o “Alto dos Esquecidos”, que está sem água há mais de quinze dias. A polícia esteve no local para intermediar nas negociações e um caminhão foi enviado até à localidade para abastecer às casas.

 Um morador atento conseguiu perceber um erro na sua conta de água, lhe cobrando 32 dias de consumo entre dezembro de 2021 e janeiro de 2022. O fato é que além do consumo ser contabilizado em apenas 30 dias, dezembro foi o mês em que a Embasa ficou dez dias sem abastecer o município, depois que parte de sua adutora rompeu devido as enchentes registradas na região. A interrupção no abastecimento de água foi registrado entre os dias 26 de dezembro e 06 de janeiro, ocorrência não levada em consideração pela própria Embasa, que passou a enviar desde essa terça-feira, (01/02), às contas com prazo de pagamento para o próximo dia 07 de fevereiro. O valor cobrado pelos supostos 32 dias consumidos pelo morador do bairro Bom Jardim é de R$ 93,28 (noventa e três reais e vinte e oito centavos). Mas o problema não é exclusividade. Outros moradores também reclamaram dos acréscimos dos dias consumidos em suas contas. Em contato com a empresa, uma moradora ouviu que ela teria um retorno sobre o caso em até 05 dias.

 Não é só em Gandu que a Embasa contabiliza problemas técnicos e prejuízos aos clientes. O mesmo acontece no município de Brumado, no Oeste da Bahia, só que lá, o prefeito já estipulou um prazo de permanência da empresa na cidade, que se esgota em março. O recado foi dado durante uma live, transmitida pelo Facebook. Segundo Eduardo Vasconcelos, que também é engenheiro, a Embasa enxerga o município de Brumado como “uma galinha dos ovos de ouro”, onde apenas se arrecada, mas não investe nem 10%, principalmente em rede de esgotos. “Jamais vou assinar um contrato com a Embasa e assumir uma dívida que não é nossa. Vamos lutar na justiça. O prazo dela dura até março. Se até março não houver nenhum acerto com a Embasa, ela terá que deixar o espaço para nós licitarmos essa concessão para qualquer empresa privada que queira fazer”, bradou o prefeito durante à transmissão. Para suspender o contrato de concessão entre o município e a Embasa, o prefeito disse ainda que uma ação foi apresentada no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele defende que, como prefeito, tem a prerrogativa de escolher como gerir os serviços públicos.
Fonte:Diário Paralelo/Blog Mateus Oliver Repórter
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