O mês começou há poucos dias, mas as águas de março já trazem tensão aos moradores de cidades atingidas pelos temporais de dezembro passado. Alertas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) assustam e não à toa: chuvas intensas com potencial de perigo estão previstas para o sul, centro sul, centro norte e nordeste da Bahia. A previsão é que o risco continue até domingo (6). 

 O coordenador da Defesa Civil de Ilhéus, Joandre Neres, afirma que 66 milímetros de chuva foram registrados na cidade desde a madrugada até às 10 horas de quinta-feira (3). Até às 11 horas da manhã, já haviam sido feitas 11 ocorrências de desmoronamentos e alagamentos. No final de janeiro, o governo do estado autorizou obras de requalificação em 37 cidades afetadas pelas chuvas, com um investimento de R$57 milhões. Também foi anunciado o programa Bahia Minha Casa, que deverá construir moradias em municípios, inclusive em Ilhéus.
 Na cidade de Itabuna, a enchente causada pelo aumento do nível do Rio Cachoeira no ano passado, também deixou marcas nos moradores da cidade. Em Ubaitaba, a moradora Danielle Ferreira conta que desde às 3 horas da madrugada até o horário do almoço choveu sem parar no município. A casa de uma amiga, no bairro Maria Olímpia, começou a alagar ainda cedo. Já em Ubaíra, no Vale do Jiquiriçá, uma criança de 9 anos ficou ferida após parte de uma casa desabar durante a madrugada. A menina dormia em um dos cômodos quando o fato ocorreu. Logo após o incidente, uma equipe da defesa civil foi ao local e isolou a área, com apoio de bombeiros militares.
 A condição climática que afeta quatro regiões do estado, além de Salvador e Região Metropolitana, devem permanecer até o final de semana. O que ocorre é uma é uma zona de baixa pressão no oceano, associada a um sistema chamado vórtice ciclônico de altos níveis, conhecido como VACN.
 Itajacy Diniz, geógrafo especialista em identidade geográfica e mudanças climáticas, explica que no VACN os ventos dos níveis mais altos da atmosfera giram no sentindo horário com alta velocidade, concentrando nuvens carregadas. Durante o verão, o vórtice se move do oceano Atlântico em direção ao continente, o que causa chuvas no nordeste brasileiro. Já no inverno, ele permanece no oceano e não causa tanta interferência na costa.
Correio da Bahia
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