O cenário político na Bahia para as próximas eleições estaduais apresenta um desenho de forte polarização, conforme revela o novo levantamento da Séculus Análise e Pesquisa, encomendado pelo portal Bahia Notícias.

De acordo com os dados coletados em 72 municípios, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), desponta como o favorito na corrida pelo Palácio de Ondina, registrando 48,28% das intenções de voto no cenário estimulado.

O atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT), aparece na segunda colocação com 31,15%, evidenciando uma distância de 17,13 pontos percentuais entre os dois principais polos da política baiana neste primeiro levantamento oficial de 2026, registrado no TSE sob o número BA-09740/2026.

​Além dos números de intenção de voto, a pesquisa trouxe indicadores sobre a resistência do eleitorado, colocando Jerônimo Rodrigues como o candidato mais rejeitado entre os consultados, com 37,96% afirmando que não votariam nele de jeito nenhum.

ACM Neto apresenta uma rejeição menor, de 22,65%, enquanto outros nomes como José Carlos Aleluia (Novo) e Ronaldo Mansur (PSOL) registram índices residuais de intenção e rejeição.

O estudo, que possui margem de erro de 2,5 pontos e nível de confiança de 95%, aponta ainda que 9,93% dos eleitores não souberam responder e 9,47% pretendem votar em branco ou nulo, consolidando um panorama onde a oposição inicia o ano eleitoral com vantagem numérica na percepção popular.Contudo, a divulgação desses dados gerou uma reação imediata e contundente da base governista, liderada pelo deputado estadual Robinson Almeida (PT).

O parlamentar questionou severamente a credibilidade do Instituto Séculus, classificando-o como o que “mais errou pesquisas no século 21” e lembrando que, em 2022, a empresa divulgou números que davam vitória esmagadora a ACM Neto, cenário que não se confirmou nas urnas.

Naquela eleição, Jerônimo Rodrigues surpreendeu ao terminar o primeiro turno com 49,45% dos votos válidos contra 40,88% de Neto, consolidando a vitória no segundo turno, o que, segundo o deputado, prova que o instituto utiliza os levantamentos como “ferramenta de indução psicológica” e não como técnica estatística.

​Robinson Almeida reforçou que a Bahia possui memória e que a Justiça Eleitoral já chegou a suspender pesquisas da Séculus por defeitos no registro, citando casos em municípios como Casa Nova e Uauá.

Enquanto o grupo oposicionista utiliza os novos dados para validar o favoritismo de ACM Neto e apontar o desgaste da atual gestão, o grupo petista aposta na força da máquina estadual, nas entregas de obras estruturantes e no alinhamento com o presidente Lula para reverter a desvantagem apontada.

Esse embate entre os números da pesquisa e o histórico de resultados reais define o tom de uma disputa que promete ser decidida, mais uma vez, apenas com a abertura das urnas.

​Fonte: Jornalista Mateus Oliver