Ipiaú: Sandro Régis faz críticas a operação policial e deixa transparecer que “matar policial pode” e que policiais devem escolher lugar para confrontar facções que tentam contra suas vidas

As recentes declarações do deputado estadual Sandro Régis (União Brasil) sobre o confronto entre a Polícia Militar e facções criminosas no centro de Ipiaú levantaram um debate acalorado sobre a inversão de valores na análise da segurança pública.
Ao classificar a ação policial como um “faroeste” e criticar o governo pelo pânico gerado na Praça do Cinquentenário, o parlamentar ignora a natureza imprevisível do combate ao crime organizado.
A retórica adotada pelo líder oposicionista deixa transparecer uma visão distorcida, onde a prioridade parece ser o desgaste da imagem governamental em detrimento do apoio àqueles que arriscam a vida nas ruas.
Dá a entender que policiais devem selecionar locais “ideais” para reagir a uma agressão armada de criminosos é, na prática, ignorar que o agente de segurança não tem o luxo da escolha quando sua integridade física e a ordem pública são colocadas em xeque por indivíduos de alta periculosidade.
A crítica de Régis soa como uma deslegitimação perigosa da legítima defesa exercida pelos policiais baianos, em especial o cenário de Ipiaú, onde quatro criminosos foram neutralizados após abrirem fogo contra as guarnições, a resposta foi técnica e necessária.
Ao focar no “clima de terror” e na localização do embate, o deputado parece sugerir que o policial deveria hesitar ou recuar diante da facção, caso o local não seja politicamente conveniente e essa postura levanta um questionamento ético grave, pois ao criticar a resposta enérgica do Estado contra o crime, o parlamentar acaba por dar uma sobrevida moral aos agressores.
No cotidiano operacional, a escolha do campo de batalha é invariavelmente feita pelo criminoso que decide resistir à voz de prisão, restando ao policial apenas o dever de neutralizar a ameaça para preservar a própria vida e a sociedade.
Tecnicamente, qualquer troca de tiros em ambiente urbano causará pânico, mas atribuir esse fenômeno a uma “incompetência” do governo é uma manobra política que beira a irresponsabilidade, sendo que o crime organizado não opera com etiqueta ou agendamento de locais ermos para confrontar as autoridades.
Em cidades como Ipiaú, Jequié e Vitória da Conquista, as forças de segurança têm atuado de forma incisiva, e a mitigação da imagem da polícia através de críticas sem nexo técnico serve apenas aos interesses de quem tenta politizar a dor e o medo da população.
Se o deputado critica a atuação rigorosa, ele indiretamente valida a audácia dos grupos que tentam se sobrepor ao Estado, criando uma narrativa onde o policial se torna o culpado por reagir à violência que ele não iniciou.
O embate político na Assembleia Legislativa da Bahia precisa amadurecer para além do palanque oportunista, especialmente em temas sensíveis como a vida de servidores públicos e a paz social e é notório que a tentativa de transformar uma vitória operacional contra o tráfico em um erro administrativo é um desrespeito à Polícia Militar da Bahia.
O pânico sentido pela população é um reflexo do poder bélico das facções, e a única forma de combatê-lo é com a presença e a reação proporcional do Estado, exatamente como ocorreu em Ipiaú e criticar o local do confronto ou o desfecho letal contra bandidos armados é ignorar que, no mundo real da segurança pública, o policial não pode ser cerceado por conveniências políticas enquanto enfrenta o cano de um fuzil ou de uma pistola automática.
Fonte: Jornalista Mateus Oliver












