Instituto Veritá apontou ACM Neto eleito em todas as suas pesquisas em 2022 e reacende debate sobre credibilidade após divulgar primeira pesquisa em 2026
A trajetória do Instituto Veritá em solo baiano tornou-se um dos temas mais controversos do debate político recente, especialmente após a divulgação de novos dados para o pleito de 2026.
O motivo central do ceticismo reside no fato de que o Instituto Veritá apontou ACM Neto como eleito em todas as suas pesquisas realizadas em 2022, sustentando um cenário de liderança isolada que acabou sendo frontalmente desmentido pelo resultado oficial das urnas.
Essa discrepância histórica entre as projeções da empresa e a realidade dos votos consolidados levanta questionamentos profundos sobre a eficácia de sua metodologia e o impacto dessas informações na opinião pública.
O erro registrado há quatro anos não foi apenas de margem, mas de tendência, uma vez que o instituto ignorou o crescimento real do então candidato e hoje governador Jerônimo Rodrigues.
Enquanto o Veritá mantinha o ex-prefeito de Salvador com índices que sugeriam até uma vitória no primeiro turno, o desfecho eleitoral mostrou um cenário oposto, com o PT liderando a votação e confirmando a vitória na etapa seguinte.
Essa insistência em dados que não se traduziram em votos reais é o que hoje alimenta as críticas de analistas que veem com reserva os números atuais, sugerindo que a leitura do instituto pode estar novamente desconectada das camadas mais profundas do eleitorado baiano.
Além do histórico de imprecisões, a técnica de coleta por meio de Unidades Automatizadas de Resposta (URA) — os chamados robôs de voz — é apontada por especialistas como um fator que pode comprometer a amostra demográfica na Bahia.
A dificuldade desse sistema em penetrar em diversas regiões e classes sociais de forma equilibrada pode gerar um viés que favorece nomes já consolidados na mídia, em detrimento de lideranças com forte apelo popular e capilaridade no interior.
Para o mercado político, a repetição de prognósticos favoráveis à oposição, ignorando os acertos das urnas no passado, coloca o Veritá em uma posição de isolamento estatístico frente a outros institutos com maior índice de confiabilidade.
Em um cenário onde a informação circula com velocidade absoluta, o papel da pesquisa eleitoral deve ser o de bússola, e não o de instrumento de propaganda.
O descrédito acumulado pelo Veritá após as falhas consecutivas de 2022 serve como um alerta para que o eleitor e os grupos políticos avaliem os dados com olhar crítico.
Se o passado serve de lição, os números que hoje apontam favoritismos isolados podem, mais uma vez, ser atropelados pela soberania do voto popular, que tem demonstrado na Bahia uma dinâmica muito mais complexa e imprevisível do que os algoritmos de voz conseguem captar.
Fonte: Jornalista Mateus Oliver












