Ministério Público apura negligência e falta de suporte a alunos neuro diversos em escolas da rede municipal de Jequié

O Ministério Público da Bahia passou a investigar um conjunto de denúncias relacionadas à falta de suporte adequado a alunos neurodiversos e às condições de trabalho enfrentadas por profissionais de apoio na rede municipal de ensino de Jequié, as informações constam em um termo de declaração registrado na Defensoria Pública, que aponta situações consideradas críticas dentro das unidades escolares.
O documento foi colhido no dia 7 de abril de 2026, na sede da 12ª Regional, e traz o relato de um profissional contratado via REDA, que afirma ter sido desligado da função após vivenciar diversos problemas ao longo do período em que atuou em escolas do município, entre elas o Anísio Teixeira, o Colégio Dorival Borges e o Celi de Freitas.
Segundo o depoimento, o profissional relata episódios de agressões por parte de alunos, ausência de suporte institucional e falta de capacitação adequada para lidar com crianças neurodiversas, além de situações de prejuízo material sem ressarcimento, o que, de acordo com o relato, demonstra fragilidade na estrutura de apoio oferecida pela rede municipal.
O termo também aponta que não houve formação continuada efetiva desde o início da atuação, sendo registradas apenas reuniões pontuais e isoladas, o que compromete o atendimento aos alunos que necessitam de acompanhamento especializado, outro ponto destacado é a sobrecarga de trabalho, com casos em que um único profissional ficava responsável por várias crianças ao mesmo tempo.
Ainda conforme a declaração, foram relatadas situações de constrangimento dentro do ambiente escolar, incluindo episódios em que profissionais teriam sido tratados como suspeitos em casos de desaparecimento de objetos, o que contribuiu para um ambiente de trabalho considerado desgastante e conflituoso.
O documento cita ainda falhas na comunicação com as famílias, ausência de acompanhamento psicossocial e a inexistência de uma política estruturada de inclusão, além de apontar que pedidos de apoio feitos por profissionais teriam sido ignorados pela gestão em diversas ocasiões.
Diante dos fatos, o Ministério Público acompanha o caso e deve apurar possíveis irregularidades, incluindo eventual caráter discriminatório no desligamento do profissional e prejuízos no atendimento educacional ofertado aos alunos da rede municipal.
O conteúdo do termo reforça um cenário considerado preocupante dentro da rede pública de ensino em Jequié, evidenciando que a falta de estrutura, capacitação e suporte pode comprometer tanto as condições de trabalho dos profissionais quanto o desenvolvimento e a inclusão de alunos que dependem desse acompanhamento.
A nossa reportagem tentou contato com o prefeito Flavinho para comentar sobre o assunto, porém até o fechamento desta matéria nenhum posicionamento foi nos repassado.
Fonte: Jornalista Mateus Oliver












