O preço do petróleo voltou a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril nesta quarta-feira (9), pela primeira vez desde 25 de maio, em meio à intensificação do conflito envolvendo Estados Unidos e Irã e à ampliação dos ataques na região do Oriente Médio.

O petróleo Brent, utilizado como referência internacional, alcançou US$ 100,15 por volta das 4h15, no horário de Brasília, e continuou avançando durante a manhã, chegando ao pico de US$ 100,95 às 6h45, valorização de 3,09% e maior cotação desde 22 de maio, quando havia atingido US$ 102,77.

Após atingir a máxima, a commodity apresentou uma pequena redução, sendo negociada a US$ 100,63 por volta das 8h20, ainda com valorização de 2,71%, enquanto o petróleo WTI, referência do mercado norte-americano, registrava alta de 2,238%, cotado a US$ 95,24.

A pressão sobre os preços ocorre em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio, com novos ataques envolvendo forças iranianas e norte-americanas e ações que também atingem países aliados dos Estados Unidos na região.

Segundo as informações divulgadas, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado dez navios e lançado mísseis balísticos contra uma base na Jordânia utilizada pelas Forças Armadas norte-americanas, ofensiva apresentada pelo lado iraniano como resposta aos ataques realizados pelos Estados Unidos contra cinco petroleiros iranianos na terça-feira (8).

O Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos, o Centcom, também divulgou imagens de ataques e afirmou que as ações norte-americanas ocorreram em resposta a ofensivas anteriores do Irã contra um navio de guerra da Marinha dos EUA, sem registro de militares norte-americanos feridos, segundo as autoridades do país.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou durante visita à Colômbia que novas tentativas iranianas de atacar embarcações da Marinha norte-americana poderão provocar novas ações contra petroleiros do Irã.

Um dos principais pontos de preocupação para o mercado internacional continua sendo o estreito de Hormuz, rota estratégica por onde passava aproximadamente 20% da produção mundial de petróleo e gás antes do conflito, enquanto o Mar Vermelho, utilizado como alternativa, também enfrenta ameaças relacionadas às ações dos houthis.

Com o cenário de instabilidade e as negociações por um acordo de paz praticamente paralisadas nas últimas semanas, instituições financeiras internacionais elevaram suas projeções para o petróleo, enquanto analistas acompanham os possíveis impactos da permanência das cotações acima dos US$ 100 sobre inflação, juros e atividade econômica mundial.

Fonte: jornalista Mateus Oliver