Candidato ao Senado Federal pela Bahia nas eleições de 2026, Rui Costa (PT) começa a apresentar com maior clareza as bandeiras que pretende defender caso conquiste uma cadeira no Congresso Nacional, colocando o endurecimento da legislação contra criminosos de alta periculosidade, a ampliação de políticas sociais e uma atuação alinhada ao Governo Federal entre os principais pontos de seu discurso nesta reta da campanha.

Na área da segurança pública, Rui defendeu a implantação de novas penitenciárias de segurança máxima e mudanças na legislação penal brasileira, argumentando que criminosos considerados de alta periculosidade precisam permanecer em estruturas capazes de impedir que continuem comandando organizações criminosas mesmo depois de presos, enquanto também criticou dispositivos que, em sua avaliação, permitem que autores de crimes graves retornem às ruas em períodos considerados curtos.

O posicionamento coloca a segurança entre as bandeiras que Rui pretende levar ao Senado justamente quando o tema ocupa espaço central na eleição baiana, com o candidato defendendo que o Congresso precisa assumir responsabilidade na revisão da legislação penal e oferecer instrumentos mais rígidos para atuação dos estados no combate ao crime organizado.

Paralelamente ao discurso de endurecimento na segurança, Rui tem utilizado os números do Gás do Povo para defender a continuidade das políticas sociais do Governo Federal, afirmando que aproximadamente 1,82 milhão de famílias são alcançadas pelo programa na Bahia, número significativamente superior ao público anteriormente atendido pelo Auxílio Gás.

Segundo os números apresentados pelo candidato, o Auxílio Gás alcançava aproximadamente 528,8 mil famílias baianas, enquanto o novo programa teria ampliado essa cobertura em mais de 240%, passando a atender uma parcela muito maior da população de baixa renda, com forte presença de famílias chefiadas por mulheres.

Rui utiliza esses dados para estabelecer um contraste político entre o atual Governo Federal e a administração do ex-presidente Jair Bolsonaro, sendo que durante suas recentes declarações voltou a recordar os conflitos existentes quando governava a Bahia e acusou a antiga gestão federal de interromper recursos destinados ao estado.

Entre os episódios citados está o financiamento das obras do metrô de Salvador, que possuía participação financeira da União, enquanto Rui afirma que repasses federais foram interrompidos durante o governo Bolsonaro e que o Governo da Bahia precisou assumir despesas para assegurar a continuidade dos investimentos.

O ex-governador também recuperou o embate ocorrido durante a pandemia da Covid-19 envolvendo o financiamento de leitos de Unidade de Terapia Intensiva, período em que a Bahia chegou a recorrer ao Supremo Tribunal Federal contra a União para garantir a continuidade do custeio federal de estruturas destinadas ao atendimento de pacientes infectados pelo coronavírus.

A disputa chegou ao STF em 2021 e resultou em determinação para que o Governo Federal restabelecesse proporcionalmente o custeio de leitos de UTI destinados ao enfrentamento da Covid-19 na Bahia, episódio que Rui agora utiliza como parte de sua argumentação sobre as dificuldades enfrentadas pelo estado durante sua relação institucional com a administração Bolsonaro.

Ao mesmo tempo, o candidato procura transformar sua experiência de oito anos à frente do Governo da Bahia e sua passagem pela Casa Civil da Presidência em argumento eleitoral para chegar ao Senado, apresentando-se como um nome capaz de defender os interesses do estado diretamente em Brasília e atuar tanto na discussão do orçamento federal quanto na formulação de novas leis.

A estratégia também evidencia os dois pilares que começam a aparecer no discurso de Rui nesta reta eleitoral, de um lado a defesa da ampliação de programas sociais e da parceria entre Bahia e Governo Federal e, de outro, uma posição mais rígida na segurança pública, com defesa de presídios de segurança máxima e mudanças na legislação para criminosos considerados de maior periculosidade.

Rui disputa uma das duas vagas da Bahia no Senado e integra a chapa governista ao lado de Jaques Wagner, enquanto o grupo trabalha simultaneamente pelas reeleições de Jerônimo Rodrigues ao Governo da Bahia e de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, cenário que transforma a disputa pelas duas cadeiras do Senado em uma das principais batalhas políticas do estado nas eleições de 2026.

Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, Rui Costa tenta agora convencer o eleitor de que sua experiência no Executivo pode ser transferida para o Legislativo, enquanto segurança pública, programas sociais e a relação da Bahia com Brasília passam a ocupar posição estratégica no discurso utilizado pelo candidato para conquistar uma das vagas destinadas ao estado no Senado Federal.

Fonte: jornalista Mateus Oliver