A análise dos atos oficiais da Prefeitura Municipal de Itagi revela uma distorção administrativa que beira o descaso com o patrimônio público e com a inteligência do contribuinte.

Enquanto o município se vê obrigado a alugar imóveis de terceiros para abrigar órgãos vitais como o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e o Conselho Tutelar, a gestão municipal não economiza recursos quando o assunto é a contratação de bancas de advocacia externas.

Essa política de “puxadinhos” em prédios locados, que não deixam qualquer legado patrimonial para a cidade, contrasta violentamente com o fluxo de centenas de milhares de reais destinados a diversos escritórios de advocacia por meio de processos de inexigibilidade de licitação, evidenciando que a prioridade governamental está longe de ser a estruturação de uma rede de serviços públicos própria, sólida e eficiente.

A pulverização de contratos de consultoria jurídica é um dos pontos mais críticos, sugerindo que a administração prefere drenar o erário com assessorias especializadas para funções que deveriam ser exercidas por uma Procuradoria Municipal robusta e concursada.

Escritórios como Ricardo Maracajá Sociedade Individual de Advocacia e outros nomes que figuram no Diário Oficial recebem vultosos pagamentos para lidar com questões que vão desde a gestão pública até a recuperação de créditos tributários.

Essa dependência crônica de entes privados para gerir a máquina jurídica da prefeitura não apenas encarece o custo da governança, mas também cria uma zona de sombra na fiscalização, uma vez que a multiplicidade de contratos dificulta o rastreio da real eficácia e necessidade de tantos braços jurídicos externos pagos com o dinheiro do povo.

Além da questão jurídica, o documento oficial expõe uma inversão de valores alarmante quando comparamos os gastos com festividades e os investimentos em manutenção básica.

Outro ponto real é a prefeitura destinar 160 mil reais para apenas dois dias de apresentações artísticas em um festival de forró, enquanto aditivos contratuais para serviços de limpeza e conservação de edifícios públicos são assinados a conta-gotas para evitar o colapso total.

Esse modelo de gestão “vitrine”, que prioriza o brilho efêmero dos palcos e a remuneração generosa de consultores jurídicos em detrimento da construção de sedes próprias para as secretarias e projetos sociais, revela um governo que prefere o custeio de luxos e conveniências ao investimento em uma infraestrutura pública que pertença verdadeiramente à população de Itagi.
Fonte: Jornalista Mateus Oliver