Um levantamento recente trouxe à tona uma realidade alarmante ao apontar que o número real de casos de feminicídio no país é significativamente maior do que o registrado nos dados oficiais das secretarias de segurança.

Essa discrepância ocorre, em grande parte, devido a falhas na tipificação dos crimes no momento do registro da ocorrência, onde muitos assassinatos de mulheres cometidos em contextos de violência doméstica ou por menosprezo à condição feminina acabam sendo classificados apenas como homicídios comuns.

A ausência de uma investigação detalhada desde os primeiros momentos da perícia impede que as qualificadoras de gênero sejam aplicadas corretamente, mascarando a gravidade do problema e dificultando a elaboração de políticas públicas eficazes que combatam a raiz dessa violência estrutural.

A pesquisa destaca que a subnotificação não é apenas uma falha estatística, mas um reflexo da resistência institucional em reconhecer as especificidades da violência contra a mulher dentro do sistema de justiça criminal.

Em diversas regiões, a falta de treinamento especializado para agentes de segurança e o descasamento entre os registros policiais e as decisões judiciais contribuem para que a verdadeira face do feminicídio permaneça invisível nos balanços anuais.

Especialistas alertam que, sem dados que reflitam a realidade fática, o Estado falha ao não destinar recursos adequados para delegacias da mulher e redes de proteção, deixando milhares de cidadãs em situação de vulnerabilidade extrema por não identificar corretamente o risco de morte iminente em casos de agressões recorrentes.

Para reverter esse cenário de invisibilidade, o levantamento sugere a padronização rigorosa dos protocolos de investigação em todo o território nacional, garantindo que todo assassinato de mulher seja inicialmente investigado sob a perspectiva de gênero.

A transparência nos dados é considerada o primeiro passo para o enfrentamento real do crime, permitindo que a sociedade civil e os órgãos de controle monitorem a eficácia das medidas protetivas e das leis vigentes, como a Lei Maria da Penha.

Somente com uma base de dados fidedigna e livre de subnotificações será possível compreender a real dimensão do feminicídio no Brasil e estruturar uma rede de apoio que seja capaz de intervir antes que a violência doméstica culmine em tragédias irreversíveis para as famílias brasileiras.

Fonte: Jornalista Mateus Oliver