O líder do Governo na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), deputado estadual Rosemberg Pinto (PT), elevou o tom das críticas contra o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), ao afirmar que o líder da oposição tenta desviar o foco do debate público ao responsabilizar o governador Jerônimo Rodrigues (PT) pelos problemas registrados na BR-324, enquanto evita comentar os desdobramentos da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal no Rio de Janeiro.

Segundo Rosemberg, ACM Neto reapareceu no cenário político baiano direcionando críticas à situação da BR-324 justamente em meio à repercussão da operação da Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma rede de postos de combustíveis e agentes públicos no estado do Rio de Janeiro, para o parlamentar, o ex-prefeito deveria esclarecer sua relação política com o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, dirigente do União Brasil no Rio de Janeiro e um dos nomes anunciados anteriormente como participante de um evento promovido pela Fundação Índigo, presidida por ACM Neto.

Durante as declarações, Rosemberg afirmou que causa estranheza o fato de Canella ter sido convidado para participar do lançamento de um MBA em Segurança Pública organizado pela Fundação Índigo em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), destacando que o dirigente fluminense passou a ser citado nas investigações da Operação Unha e Carne.

“A ironia é que quem posou de especialista agora precisa explicar por que levou para esse evento alguém investigado por suposta lavagem de dinheiro para facções criminosas”, declarou o líder governista.

A sexta fase da Operação Unha e Carne foi deflagrada pela Polícia Federal na última terça-feira (7), no Rio de Janeiro, e investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis, conforme a PF, as movimentações financeiras sob investigação ultrapassam R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, com base em informações produzidas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), durante a operação foram cumpridos mandados de busca e apreensão, além do sequestro de bens, suspensão de atividades empresariais e apreensão de armas, dinheiro em espécie, veículos, joias, relógios, computadores e documentos.

Rosemberg também rebateu as críticas direcionadas à situação da BR-324, afirmando que a rodovia é de responsabilidade da União e que, desde o encerramento do contrato com a ViaBahia, a administração da estrada passou para o Governo Federal, por meio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), segundo o parlamentar, a tentativa de atribuir ao Governo da Bahia a responsabilidade direta pelos problemas da rodovia representa uma distorção das competências administrativas e busca transformar uma questão de infraestrutura federal em instrumento de disputa política.

“O momento exige responsabilidade e soluções, não exploração política de um episódio que já está recebendo a devida resposta técnica”, afirmou o deputado.

O embate amplia a disputa política entre governo e oposição na Bahia, especialmente em temas ligados à segurança pública, infraestrutura e mobilidade, enquanto aliados do governador Jerônimo Rodrigues cobram explicações sobre relações políticas da oposição, integrantes do grupo de ACM Neto seguem direcionando críticas à gestão estadual em áreas consideradas estratégicas para o debate eleitoral.

Fonte: jornalista Mateus Oliver