O Sistema Rodoviário Ponte Salvador-Itaparica será um novo vetor de distribuição de renda e vai impulsionar a economia de toda a Bahia, com geração de sete mil empregos. Serão contemplados 10 milhões de baianos em cerca de 250 municípios. Esse grande investimento vai fomentar o desenvolvimento econômico a partir da atração de novos empreendimentos em áreas como logística, indústria, comércio, serviços e mercado imobiliário. O novo sistema irá também impulsionar de maneira sustentável o turismo na Bahia já que a distância entre Salvador e importantes zonas turísticas do estado, como o Sul e Baixo Sul, será reduzida em mais de 100 quilômetros.

Além da ponte com 12.4 quilômetros sobre o mar, a maior da América Latina, serão construídos novos acessos viários em Salvador e Vera Cruz. Na capital, serão 4 km de uma nova estrutura entre a região da Calçada e Água de Meninos composta por um conjunto de viadutos e dois novos túneis que ficarão paralelos aos da Via Expressa. Já em Vera Cruz, o fluxo de veículos oriundos da ponte será direcionado para uma nova via expressa com 22 km que será construída na região de Mar Grande e segue até as proximidades de Cacha Pregos. Por fim, será duplicado um trecho de 8 km da BA-001 desde Cacha Pregos até o início da Ponte do Funil, onde finaliza a área de atuação da Concessionária.

Esse novo investimento de aproximadamente R$ 9 bilhões é fruto de uma Parceria Público-Privada (PPP) entre o Governo da Bahia e um consórcio chinês formado por dois grandes grupos que estão entre os maiores do mundo no segmento de construção e infraestrutura. São eles: China Railway 20th Bureau Group Corporation (CR20) e China Communications Construction Company (CCCC). O contrato assinado em novembro de 2020 estabelece uma concessão de 35 anos para construção, operação e manutenção do equipamento.

Etapas – A etapa de sondagem envolve a obtenção de amostras do fundo do mar em 102 pontos onde serão construídos os pilares da Ponte Salvador-Itaparica. Em seguida, o material coletado passa pela análise de laboratórios especializados para a preparação de relatórios minuciosos com dados sobre as características do solo.

Já está em pleno funcionamento na Avenida Engenheiro Oscar Pontes, na região da Calçada, em Salvador, o canteiro de apoio à sondagem. O local à beira-mar conta com mais de 20 módulos que abrigam laboratórios de análise dos materiais coletados no mar, armazenamento de equipamentos técnicos, refeitório e escritórios administrativos onde trabalham 50 pessoas.

Os laboratórios especializados em ensaios de amostras de solo e rocha são dotados de equipamentos de alta tecnologia que vieram da China exclusivamente para essa atividade. No caso do solo coletado no fundo da Baía de Todos-os-Santos, são feitas análises de granulometria, umidade, limite de liquidez, limite de plasticidade e compressão. Já nas amostras de rocha, são analisados aspectos como carga pontual, umidade, peso volumétrico, compressão e tração, por exemplo.

Pesquisa e tecnologia – O serviço de sondagem do Sistema Rodoviário Ponte Salvador-Itaparica segue avançando e consolidando novos marcos. Uma nova balsa de grande porte chegou à Baía de Todos-os-Santos para reforçar a sondagem do Sistema Rodoviário Ponte Salvador-Itaparica. A nova embarcação possui as mesmas grandes dimensões da primeira balsa que já estava no mar: 75 metros de comprimento e área de convés de, aproximadamente, dois mil metros quadrados. As duas balsas contam com perfuratriz com sistema de compensação de ondas que permite o trabalho no mar mesmo em condições climáticas adversas. Com o desenrolar da sondagem, uma das balsas ficará mais próxima de Salvador e a outra nas proximidades de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica.

Ao mesmo tempo em que duas balsas seguem em ação em águas profundas, está em andamento também a sondagem em águas rasas, até 10 metros de profundidade, com uso de uma plataforma estilo Jackup. Elas fazem parte de uma força-tarefa que está coletando amostras do fundo do mar em 102 pontos da Baía, onde serão erguidos os pilares da Ponte Salvador-Itaparica. A sondagem foi iniciada com as operações terrestres em janeiro deste ano, em Vera Cruz. Até o momento, 17 empresas baianas foram contratadas e 300 empregos diretos e indiretos já foram gerados somente em função da sondagem, que representa um investimento de R$ 160 milhões.

As perfuratrizes das balsas em águas profundas possuem uma tecnologia chamada de “Sistema de Compensação de Ondas”. Esse sistema é fundamental para garantir a excelência dos resultados durante a coleta do material. Assim, mesmo com os balanços em função das ondulações e tempo chuvoso, que podem causar oscilações na balsa, a

perfuratriz extratora das amostras do solo fica sempre estabilizada. O sistema de compensação usa sensores e mecanismos hidráulicos para ajustar ativamente a posição da perfuratriz em resposta aos fatores externos. Isso é fundamental já que os movimentos da balsa não podem interferir na coleta do solo marinho.

Em cima da balsa que atua em águas profundas foram instalados também 15 contêineres. Eles passam a funcionar como uma espécie de canteiro de obras avançado ao mar, com equipes de operação, suporte técnico, administrativo e almoxarifado.

Navegação – Na etapa de sondagem em águas profundas, outra tecnologia garante a segurança e a comunicação entre embarcações e balsas: o Sistema de Identificação Automática. Utilizado no tráfego marítimo, ele identifica e localiza embarcações por meio da troca eletrônica de dados com outras embarcações próximas e estações-base.

Ele é capaz de fornecer informações como posição, velocidade, direção e outros detalhes de navegação, atualizados constantemente. Ainda em atendimento aos requisitos da Marinha do Brasil, as embarcações utilizadas na sondagem também estão devidamente sinalizadas com luzes para indicar a sua área de atuação. Com o objetivo de orientar a comunidade marítima local, a Marinha emite avisos aos navegantes antes da movimentação das embarcações e dos equipamentos envolvidos na sondagem.