O Povo no Sol pela BA-676 Enquanto Prefeito e Ex-prefeito Responsável Pelo Atraso da Obra Brindam na Lavagem do Bonfim
O amanhecer desta quinta-feira, 15 de janeiro, não foi marcado pelo silêncio habitual em Una, mas pelo ronco de tratores e pelo grito de uma população que chegou ao seu limite absoluto.
Desde as 6h da manhã, a ponte que corta o centro da cidade está totalmente interditada por moradores do distrito da Colônia, que decidiram paralisar o principal acesso ao município de Canavieiras.
O motivo é uma ferida aberta há quase 30 anos, pelo abandono vergonhoso da rodovia BA-676.
Enquanto famílias inteiras se expõem ao relento para exigir o direito básico de ir e vir com segurança, a indignação aumenta ao perceber que o asfalto, essencial para a economia e para a vida dos cidadãos, tornou-se moeda de troca e alvo de incompetência administrativa crônica.
A paralisação da BA-676 não é apenas um problema de logística, mas o retrato de uma gestão estadual e municipal que parece ignorar o sofrimento de quem trafega entre o distrito e a sede.
A obra, de responsabilidade do Governo do Estado da Bahia, virou um monumento à ineficiência, estando atualmente paralisada e gerando revolta generalizada.
Mesmo com o caráter pacífico do movimento, que mantém a nobreza de liberar veículos com pacientes em estado de urgência para Ilhéus, a mensagem enviada ao Palácio de Ondina e à prefeitura local é de que a comunidade não aceitará mais migalhas ou promessas vazias sobre uma pavimentação que é esperada por três décadas.
O que causa ainda mais asco na população é o contraste gritante entre o sacrifício de quem está na barreira e a agenda festiva das lideranças políticas da região.
Enquanto o asfalto não chega, o prefeito Rogério e o ex-prefeito Tiago de Dejair parecem estar em uma realidade paralela, ocupados com os preparativos para os festejos da Lavagem do Bonfim. A polêmica ganha contornos de escândalo quando se recorda que Tiago é apontado como o responsável direto por um projeto tecnicamente mal elaborado no passado, cujas falhas estruturais serviram como o primeiro grande dominó a cair, atrasando e comprometendo toda a cronologia da obra até os dias atuais.
É um cenário de absoluto desrespeito: de um lado, o cidadão comum de Una lutando contra a poeira e o isolamento econômico; do outro, políticos que preferem o brilho das festas populares ao invés de encarar o asfalto que eles mesmos ajudaram a travar.
A pergunta que ecoa nas ruas e na ponte interditada é como os gestores conseguem planejar celebrações enquanto a via que deveria trazer desenvolvimento está enterrada na lama da burocracia e do descaso.
A manifestação promete não recuar, servindo como um ultimato para que o governo pare de priorizar o entretenimento político e passe a honrar o compromisso histórico com o povo que realmente constrói a riqueza de Una.
Fonte: Jornalista Mateus Oliver












