Os dados estatísticos consolidados pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia, através da 9ª COORPIN em Jequié, revelam um cenário de contrastes na segurança pública regional durante o fechamento do período de 2025 em comparação ao ano anterior.

O levantamento obtido com exclusividade pelo Jornalista Mateus Oliver junto a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) detalha uma redução expressiva no número de roubos registrados, que apresentaram uma queda de 23% no total geral de ocorrências, passando de 404 casos em 2024 para 311 em 2025.

Jequié, o principal centro urbano da região, foi o grande motor dessa redução ao diminuir o número de registros de 282 para 187, o que representa um recuo de 33,7% nesse tipo de delito, sinalizando uma maior eficácia no policiamento ostensivo e em ações de repressão a crimes patrimoniais na zona urbana.

​Entretanto, se os números de crimes contra o patrimônio mostram um recuo favorável, os indicadores de crimes violentos letais intencionais acendem um sinal de alerta para as autoridades e para a sociedade civil organizada.

O número total de vítimas de homicídio doloso na região teve um leve incremento de 1,2%, saltando de 170 para 172 vítimas no acumulado do ano, com destaque negativo para o município de Ipiaú, onde as mortes violentas subiram drasticamente de 11 para 33 ocorrências, um aumento alarmante de 200%.

Em contrapartida, cidades como Dário Meira e Itaquara conseguiram reduzir significativamente seus índices de letalidade, demonstrando que a mancha criminal tem se deslocado entre os municípios que compõem a área de atuação da coordenadoria regional.

​Outro ponto que exige atenção imediata e políticas públicas integradas é o aumento nos casos de feminicídio na região da 9ª COORPIN, que dobrou no último ano.

Enquanto em 2024 foram registradas duas vítimas dessa natureza, o ano de 2025 fechou com quatro mulheres assassinadas em razão do gênero, sendo três desses casos concentrados no município de Jequié e um em Ipiaú.

Embora os números absolutos pareçam baixos em relação aos homicídios gerais, o crescimento percentual de 100% revela a urgência em fortalecer as redes de proteção à mulher e os mecanismos de denúncia, visando interromper o ciclo de violência doméstica antes que ele atinja o desfecho fatal registrado nestas estatísticas.

​Os dados finais do Instituto de Segurança Pública mostram que, apesar de cidades como Lafaiete Coutinho e Santa Inês terem zerado seus índices de homicídios no último período, a estabilidade de Jequié — que manteve o número de 84 mortes em ambos os anos — mantém a pressão sobre as forças policiais.

O desafio para o próximo ciclo será equilibrar o sucesso obtido no combate aos roubos com novas estratégias para conter o avanço dos crimes contra a vida em cidades periféricas ao polo regional.

A análise detalhada desses números serve como base fundamental para o planejamento das operações de segurança e para a implementação de novos projetos sociais que possam mitigar a violência nos municípios mais afetados.

​Fonte: Jornalista Mateus Oliver