Em um ano, mais de 1,5 milhão de baianos foram afetados por desastres naturais e prejuízos chegam a R$ 2,47 bilhões
Mais de 1,5 milhão de pessoas foram diretamente afetadas por desastres naturais na Bahia em 2025, segundo dados atualizados do Atlas Digital de Desastres da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), o número inclui pessoas desalojadas, desabrigadas, feridas e enfermas, representando cerca de 10,6% da população baiana.
Os dados apontam que a seca e a estiagem continuam sendo os principais desastres registrados no estado, respondendo por 164 ocorrências, o equivalente a 58% dos protocolos abertos no período, enquanto as chuvas intensas foram responsáveis por 53 registros e os incêndios florestais por outras 44 ocorrências.
Entre os mais de 1,5 milhão de afetados, aproximadamente 98% foram impactados por eventos relacionados à seca e estiagem, os meses com maior número de registros foram março, abril, maio e setembro, com destaque para os municípios de Vitória da Conquista, que registrou 66 mil pessoas afetadas, Caetité com 48 mil e Casa Nova com 44 mil registros.
O levantamento também mostra que quase 30 mil pessoas ficaram desalojadas ou desabrigadas em decorrência de eventos extremos, principalmente durante períodos de fortes chuvas entre novembro e janeiro, além dos meses de abril e maio, os municípios de Pau Brasil, Macaúbas e Brejões concentraram os maiores números de ocorrências.
Apesar da elevada quantidade de pessoas atingidas, o Atlas não registrou mortes provocadas por desastres naturais na Bahia em 2025, porém 3.864 pessoas foram notificadas como feridas ou enfermas em consequência desses eventos.
No campo econômico, os prejuízos causados pelos desastres naturais alcançaram R$ 2,47 bilhões apenas no último ano, elevando para mais de R$ 48 bilhões as perdas acumuladas na Bahia entre 1990 e 2026.
Os prejuízos privados lideram o ranking de perdas financeiras, totalizando R$ 2,07 bilhões, sendo a agricultura o setor mais afetado, com danos superiores a R$ 1,05 bilhão, seguida pela pecuária, que acumulou perdas estimadas em R$ 840 milhões.
Os danos materiais somaram mais de R$ 219 milhões, com maior impacto sobre a infraestrutura pública, enquanto os prejuízos ao poder público chegaram a R$ 179 milhões, destacando-se os gastos com abastecimento de água, assistência médica emergencial e esgotamento sanitário.
Entre os municípios mais afetados economicamente aparecem Bom Jesus da Lapa, com destaque tanto nos prejuízos públicos quanto nos danos materiais, além de Paratinga, João Dourado e Livramento de Nossa Senhora, que lideram as perdas registradas na iniciativa privada.
Os dados reforçam o impacto crescente dos eventos climáticos extremos sobre a população e a economia baiana, especialmente em regiões afetadas por longos períodos de estiagem, cenário que continua exigindo investimentos em prevenção, infraestrutura hídrica e ações de adaptação às mudanças climáticas.
Fonte: Jornalista Mateus Oliver












