Jequié: Corpo de chefe de cozinha encontrado em Maraú segue sem liberação para sepultamento após 60 dias
Sessenta dias após o corpo do chefe de cozinha Ramon Reis Santos, de 38 anos, ter sido encontrado em uma área de mata localizada em uma fazenda no município de Maraú, no extremo sul da Bahia, a família ainda enfrenta a dor da espera pela liberação para sepultamento, já que os restos mortais seguem sob responsabilidade do Departamento de Polícia Técnica, em razão das dificuldades relatadas para confirmação oficial da identidade da vítima.
Ramon estava desaparecido desde o dia 2 de abril e morava havia cerca de um ano em Barra Grande, distrito turístico de Maraú, onde trabalhava e mantinha um trailer, sendo descrito por familiares como uma pessoa tranquila, sem passagem pela polícia, sem envolvimento com drogas e conhecida pelo hábito de ajudar outras pessoas, característica que, segundo parentes, pode ter contribuído para que ele fosse envolvido em uma situação criminosa.
O corpo foi encontrado no dia 16 de abril, em avançado estado de decomposição, e encaminhado para o Departamento de Polícia Técnica de Itabuna, mas, mesmo depois de dois meses da localização, ainda não havia sido liberado para sepultamento, pois o DPT teria alegado dificuldades na coleta de digitais que possibilitassem a identificação, além de a face estar desfigurada e não ter sido possível confirmar a identidade por meio da arcada dentária ou por outro método até esta data.
Segundo familiares, no dia em que desapareceu, Ramon almoçava com um colaborador quando recebeu uma ligação por volta das 16h, informou ao funcionário que sairia para resolver um problema e deixou o local em uma motocicleta, mas, depois disso, não fez mais contato com parentes, amigos ou pessoas próximas, dando início a uma busca que terminou com a localização do corpo duas semanas depois.
As investigações da Polícia Civil apontam que, dois dias antes do desaparecimento, Ramon teria hospedado um homem morador de Jequié, no sudoeste da Bahia, e que esse hóspede teria sido abordado por criminosos enquanto caminhava por Barra Grande, ocasião em que foi apontado pelo grupo como integrante de uma facção rival, sendo liberado após prestar esclarecimentos, mas tendo o celular confiscado pelos suspeitos.
Ainda conforme as informações apuradas, horas depois da abordagem, o grupo teria invadido a casa de Ramon, mas não encontrou nem o chefe de cozinha nem o hóspede, que deixou Barra Grande no dia seguinte, enquanto Ramon acabou desaparecendo, circunstância que passou a ser investigada pela Delegacia Territorial de Maraú.
Para a família, a demora na liberação do corpo prolonga o sofrimento e impede que parentes e amigos possam realizar a despedida de Ramon, que, segundo a irmã Rosana Reis, era uma pessoa boa e solidária. “Ramon não tinha passagem pela polícia e nunca teve envolvimento com drogas. Ele gostava de ajudar as pessoas”, afirmou.
Rosana também lamentou a forma como o irmão acabou sendo atingido por uma situação que, segundo ela, teria relação com a ajuda prestada a outra pessoa. “Era uma pessoa muito boa, sempre me ajudou com meus filhos. Tinha o dom de ajudar as pessoas, e isso acabou ocasionando a morte dele, infelizmente”, declarou.
O caso segue sob investigação da Delegacia Territorial de Maraú, que apura as circunstâncias do crime, a participação dos envolvidos e a possível relação entre o desaparecimento de Ramon, a hospedagem do homem vindo de Jequié e a atuação de criminosos na região de Barra Grande, enquanto a família aguarda uma resposta definitiva sobre a identificação e a liberação do corpo para sepultamento.
Fonte: jornalista Mateus Oliver












