Novas mensagens de Vorcaro citam pessoas ligadas a Fux, Nunes Marques e André Mendonça em meio à crise no STF

Novas mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, divulgadas nesta terça-feira (15), ampliaram a repercussão do caso envolvendo a instituição financeira e passaram a atingir o entorno de diferentes integrantes do Supremo Tribunal Federal, com diálogos e registros que fazem referências ao ministro Kassio Nunes Marques e ao seu filho Kevin Marques, ao ministro Luiz Fux e ao seu filho Rodrigo Fux, além do ministro André Mendonça e de pessoas que aparecem como interlocutores ou intermediários em contatos relacionados ao ex-banqueiro.
No caso envolvendo Kassio Nunes Marques, parte das mensagens chama atenção por referências relacionadas ao advogado Kevin Marques, filho do ministro, incluindo diálogo no qual aparece a menção a R$ 500 mil mensais, entretanto o conteúdo divulgado não comprova isoladamente que Kevin tenha efetivamente recebido essa quantia, enquanto o advogado nega ter trabalhado para o Banco Master ou recebido pagamentos de Daniel Vorcaro.
Kevin Marques reconheceu ter recebido R$ 281,6 mil da Consult Inteligência Tributária por serviços jurídicos na área tributária, sendo que a empresa, por sua vez, recebeu aproximadamente R$ 6,6 milhões do Banco Master entre outubro de 2024 e julho de 2025, enquanto o advogado sustenta que os valores recebidos decorreram de serviços efetivamente prestados e não tiveram relação com atuação perante o Supremo Tribunal Federal.
Kassio Nunes Marques também aparece em outro conjunto de mensagens relacionado a uma viagem, com diálogos atribuídos a pessoas próximas de Vorcaro fazendo referência a uma solicitação atribuída ao ministro e questionamentos sobre despesas, porém os registros divulgados precisam ser analisados dentro do contexto completo e não demonstram, por si mesmos, a prática de irregularidade pelo integrante do Supremo.
Luiz Fux também passou a integrar a repercussão das novas revelações depois que mensagens encontradas no celular de Vorcaro fizeram referências a contatos envolvendo Rodrigo Fux, advogado e filho do ministro, incluindo registros relacionados a encontros e aproximações com pessoas ligadas ao ex-controlador do Banco Master, acrescentando mais um núcleo às informações que chegaram ao conhecimento público nesta terça-feira.
As referências a Rodrigo Fux, entretanto, também não permitem concluir isoladamente pela existência de favorecimento ou prática criminosa por parte do advogado ou de seu pai, uma vez que a investigação precisa determinar o contexto dos contatos, a finalidade dos encontros mencionados e se houve alguma atuação relacionada a interesses do Banco Master perante órgãos do Poder Judiciário.
O nome do ministro André Mendonça aparece em outra frente das mensagens relacionadas a Vorcaro, com referências envolvendo o advogado Ciro Soares e contatos que teriam antecedido uma reunião entre o ministro e o então controlador do Banco Master, encontro que ganhou relevância diante da dimensão alcançada posteriormente pelas investigações sobre a instituição financeira.
O gabinete de André Mendonça já confirmou anteriormente que houve uma reunião fora da agenda oficial com Daniel Vorcaro, sustentando, entretanto, que o ministro apenas ouviu o empresário e que o encontro não significou qualquer compromisso ou atuação em benefício do banqueiro, enquanto as novas mensagens passam a ser observadas para verificar como esse contato foi articulado e quais pessoas participaram das tratativas que antecederam a reunião.
Ciro Soares surge nesse conjunto de informações por aparecer relacionado aos contatos envolvendo André Mendonça e Vorcaro, tornando-se outro personagem importante para a reconstrução da sequência de comunicações que aproximou o empresário de integrantes ou pessoas próximas ao Supremo, embora a simples presença do nome em mensagens ou contatos não represente comprovação de participação em qualquer irregularidade.
Daniel Vorcaro permanece no centro de todos esses núcleos porque as informações surgiram a partir de mensagens e dados extraídos de seu aparelho celular, apreendido no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master, sendo que o material vem revelando uma extensa rede de contatos mantida pelo empresário com integrantes dos meios político, empresarial e jurídico.
O caso envolvendo Alexandre de Moraes também permanece como um dos principais focos da crise, já que o Supremo se reúne nesta terça-feira para analisar os desdobramentos relacionados às conversas envolvendo Moraes e Vorcaro, enquanto a divulgação de novos diálogos citando o entorno de outros integrantes da Corte aumenta a dimensão institucional do episódio justamente no momento em que os ministros precisam deliberar sobre questões relacionadas ao material.
As novas revelações colocam, portanto, diferentes núcleos sob os holofotes, com Kassio Nunes Marques e seu filho Kevin Marques aparecendo em mensagens relacionadas a valores e outros contatos, Luiz Fux e seu filho Rodrigo Fux sendo mencionados em registros relacionados a encontros e aproximações, André Mendonça surgindo no contexto de uma reunião anteriormente confirmada com Vorcaro e Alexandre de Moraes permanecendo no centro da sessão extraordinária realizada pelo Supremo nesta terça-feira.
Apesar da forte repercussão, é necessário diferenciar referências encontradas em mensagens de provas de irregularidades, pois a presença do nome de ministros, familiares, advogados ou intermediários nos diálogos de Vorcaro não significa automaticamente que essas pessoas tenham cometido crimes ou recebido vantagens, cabendo às autoridades verificar individualmente os contatos, movimentações financeiras, encontros e demais circunstâncias encontradas no material apreendido.
As mensagens aumentam a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal em um dos momentos mais delicados provocados pelo caso Banco Master, enquanto novos documentos e diálogos continuam sendo analisados e podem esclarecer se os contatos revelados permaneceram no campo das relações profissionais e institucionais ou se possuem relevância para as investigações em andamento.
Fonte: jornalista Mateus Oliver













