Um ex-pré-candidato a prefeito de Ipiaú gerou polêmica ao utilizar as redes sociais para pressionar a prefeitura a regularizar a entrega de cestas básicas, que estaria atrasada em dois meses e só foi realizada seis vezes em 2025.

O orador, com um tom de urgência máxima baseado no fato de que “a fome não espera”, fez um apelo legítimo em favor das famílias carentes, cuja segurança alimentar é uma prioridade inadiável para a gestão municipal.

Contudo, a manifestação incorreu em um grave erro conceitual ao tentar hierarquizar as urgências da cidade.

O ex-pré-candidato reconheceu outras queixas, como a falta de material em postos de saúde e ruas sujas, mas afirmou de maneira equivocada que “todas [as outras queixas] podem esperar” em detrimento da crise da fome.

Essa declaração ignora um princípio básico da administração pública e da saúde, que é a interdependência dos serviços essenciais.

A afirmação de que um posto de saúde “pode ficar sujo” demonstra um desconhecimento sobre a origem dos recursos, que para a assistência social (cestas básicas) e para a saúde (limpeza, insumos) vêm de rubricas orçamentárias distintas.

Mais grave ainda é desconsiderar que a limpeza urbana e o fornecimento de materiais em postos de saúde são elementos cruciais da saúde preventiva e garantem a vida e a dignidade do cidadão.

Em suma, a higiene e a saúde garantem a vida para que o ser humano possa se alimentar, pois ambas são urgências humanitárias e sociais inegociáveis.

A postura do ex-pré-candidato, que tenta se consolidar politicamente por meio de um discurso que confunde orçamentos e subestima a saúde pública, levanta sérias dúvidas sobre sua capacidade de gerir a complexidade do município, e muitos em Ipiaú agradecem pela sua desistência da candidatura a prefeito em 2024.
Fonte: Jornalista Mateus Oliver