​A confirmação da visita de ACM Neto a Ipiaú, marcada para o próximo dia 06 de março de 2026, traz à tona um intenso debate sobre a coerência das honrarias legislativas concedidas no município.

O foco central da agenda é o recebimento do Título de Cidadão Ipiaueense, uma distinção que, por natureza, deveria celebrar um histórico de dedicação e serviços prestados à comunidade local.

No entanto, o que se observa na trajetória do ex-prefeito de Salvador é uma ausência absoluta de participação em projetos que tenham beneficiado diretamente a população de Ipiaú, tornando a homenagem um símbolo de distanciamento entre a política institucional e a realidade das ruas.

​O retorno de Neto à cidade ocorre após um longo período de abandono, em que o político se manteve afastado das demandas urgentes de Ipiaú desde o encerramento da campanha eleitoral de 2022.

Durante esse hiato, não houve registros de articulações de sua parte ou de seu grupo político para a destinação de emendas parlamentares ou investimentos que pudessem mitigar problemas nas áreas de infraestrutura, saúde ou assistência social no município.

Essa falta de lastro administrativo transforma a entrega do título em um evento desprovido de mérito prático, sendo interpretado por diversos setores da sociedade como um mero artifício de marketing para tentar forjar uma identidade local inexistente em ano de pré-campanha.

​Além da carência de serviços prestados, a movimentação de ACM Neto em Ipiaú expõe uma fragilidade política acentuada por pesquisas recentes, que apontam o favoritismo do atual governador Jerônimo Rodrigues e do grupo petista no interior baiano.

Enquanto o governo estadual mantém uma agenda de entregas contínuas em municípios do Médio Rio de Contas, Neto tenta compensar seu vácuo de atuação com solenidades que pouco dialogam com o cotidiano do cidadão ipiauense.

O título honorífico, nesse contexto, surge como uma tentativa de “certidão de nascimento” política para alguém que, na prática, nunca vivenciou as dificuldades ou contribuiu para as vitórias da cidade, evidenciando um oportunismo que ignora a inteligência do eleitorado local.

​O esvaziamento do sentido da cidadania honorária em Ipiaú, ao ser entregue a quem se distanciou da região, reforça a percepção de que a cidade só volta a ser prioridade no mapa da oposição quando os interesses eleitorais de 2026 batem à porta.

Sem projetos concretos para apresentar e sem uma ligação afetiva ou administrativa com o povo de Ipiaú, a visita de ACM Neto corre o risco de ser lembrada apenas como um ato de conveniência de um político da capital que busca abrigo em honrarias legislativas para esconder a falta de trabalho realizado pelo interior.

A população, que acompanhou o silêncio do líder do União Brasil nos últimos anos, assiste agora a uma tentativa de reaproximação que não se sustenta diante da ausência de um legado de compromisso real com a nossa terra.

​Fonte: Jornalista Mateus Oliver