Uma mulher identificada como Rosania Silva Borges, de 44 anos, está desaparecida após ser engolida por um bueiro e logo após, arrastada por uma enxurrada durante uma forte chuva registrada em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia.

A vítima sumiu depois que o carro por aplicativo em que estava foi levado pela força da água e caiu em um canal que corta a Avenida Caracas, no bairro Jurema na segunda-feira (9) e as buscas realizadas por equipes de resgate já chegaram ao terceiro dia.

O drama de Rosania ocorre em um ponto que já havia registrado tragédias anteriores; no dia 9 de novembro de 2025, o servidor público Gerald Saraiva teve o carro arrastado para dentro do mesmo canal durante forte chuva, e imagens feitas por moradores mostram que ele tentou sair pelo teto solar, mas acabou engolido pela água.

Dias depois, outro veículo também caiu e foi engolido no mesmo local, sem que providências estruturais fossem tomadas. A situação evidencia a negligência da administração municipal, que não adotou medidas preventivas para evitar novos acidentes em um canal conhecido pelo risco durante chuvas intensas.

Rosania é mãe de cinco filhos, três deles com Transtorno do Espectro Autista (TEA), e havia saído de casa para realizar a matrícula escolar de um de seus filhos quando foi arrastada pela correnteza.

Imagens registradas por moradores e divulgadas nas redes sociais mostram o momento em que Rosania e o motorista do carro tentam se salvar; enquanto o motorista conseguiu alcançar um local seguro, Rosania foi levada pela força da água e desapareceu.

Desde o início do incidente, equipes do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia realizam buscas no local; o trabalho envolve bombeiros, Guarda Civil Municipal, Defesa Civil, voluntários e outras instituições de segurança, que atuam em diferentes pontos da cidade e ao longo do percurso do Rio Verruga, para onde a água do canal escoa.

As buscas incluem varreduras no leito do rio, nas margens e em áreas de mata próximas, além do uso de drones, cães farejadores e apoio aéreo; até o momento, cerca de 16 quilômetros já foram percorridos, mas Rosania ainda não foi localizada.

O esforço conjunto ganhou um novo desdobramento quando um cão farejador do Corpo de Bombeiros logrou êxito ao localizar uma blusa pertencente à vítima; a peça foi encontrada nas imediações do Orquidário de Vitória da Conquista, área que agora concentra a atenção das equipes.

Ao final do terceiro dia de buscas, os trabalhos seguem noite adentro; os profissionais de resgate permanecem mobilizados sem interrupção, enquanto familiares acompanham de perto a operação.

A filha de Rosania, Beatriz Silvas dos Anjos, relatou que a família conseguiu rastrear o celular da mãe e que a última localização aponta para dentro do canal, reforçando a suspeita de que ela tenha sido levada pela correnteza logo após sair do veículo.

A prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos (União Brasil), afirmou que a obra de macrodrenagem na cidade foi inscrita no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em outubro de 2025 e aguarda recursos do Governo Federal.

Segundo a gestora, a administração municipal cobra celeridade na resposta, mas ainda não obteve o retorno esperado. “Diante dos sucessivos episódios na região, estamos, conforme programado, reforçando a limpeza profunda de todos os canais prioritários com dragagem e desobstrução”, declarou Sheila.

Em resposta, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou que as informações passadas pela prefeita não correspondem à realidade. Segundo o ministro, o Governo Federal liberou em 2025 o valor de R$ 30 milhões para o Governo do Estado executar obras de macrodrenagem em Vitória da Conquista.

Rui Costa detalhou que dois projetos foram inscritos no PAC ainda em outubro de 2023, totalizando R$ 8,8 milhões, e que, em março de 2024, o município recebeu a confirmação da incorporação das obras ao Novo PAC.

O ministro ressaltou que a prefeitura solicitou alterações nos projetos e foi atendida, mas a nova documentação necessária ainda não foi enviada, sendo essa pendência que trava o início das obras. “Portanto, quem tem em tese a responsabilidade por não ter iniciado essa obra é o proponente, no caso, da Prefeitura de Vitória da Conquista”, concluiu Rui Costa.

Fonte: Mateus Oliver Repórter