César Sales tenta confundir população de Ubatã ao misturar obras estaduais com recursos municipais e usa postagem com colaboração de deputado para atacar gestão
O ex-vereador e ex-candidato a prefeito de Ubatã, César Sales, voltou a usar as redes sociais para fazer críticas à gestão municipal, desta vez em uma publicação que aparece com colaboração do deputado Paulo Câmara, mas o conteúdo acabou expondo uma interpretação frágil e politicamente conveniente sobre obras públicas, recursos estaduais e precatórios do FUNDEF, ao misturar temas diferentes como se tudo fizesse parte da mesma conta e como se a Prefeitura pudesse utilizar livremente verbas vinculadas para resolver, de uma só vez, todos os problemas históricos do município.
Ao citar obras executadas ainda no período do governo ACM, César tenta criar uma narrativa de cobrança contra o município, mas ignora um ponto básico da administração pública, que é a separação entre aquilo que pertence à estrutura estadual e aquilo que é de responsabilidade direta da Prefeitura, pois intervenções em unidades estaduais dependem de recursos, planejamento e autorização do próprio Governo do Estado, não sendo correto atribuir ao município uma obrigação que não nasce do orçamento municipal nem da autonomia administrativa local.
A presença da colaboração do deputado Paulo Câmara na postagem também chama atenção, porque amplia o peso político da crítica e reforça o caráter de articulação oposicionista do conteúdo, especialmente quando a publicação utiliza números expressivos e comparações simplificadas para tentar desgastar a gestão municipal, sem apresentar ao público a devida explicação sobre vinculação de recursos, competências administrativas e limites legais de aplicação dos valores dos precatórios.
A crítica fica ainda mais frágil quando César Sales passa a tratar os precatórios do FUNDEF como se fossem um caixa livre da Prefeitura, capaz de reconstruir espaços públicos, calçar ou asfaltar toda a cidade e ainda atender outras demandas, quando, na realidade, esses recursos possuem vinculação com a educação, exigem aplicação dentro de regras específicas, passam por controle dos órgãos competentes e não podem ser transformados em promessa política de ocasião apenas para alimentar discurso de oposição.
Em publicação, o ex-vereador afirmou que o município recebeu, em julho de 2025, a primeira parcela dos precatórios do FUNDEF no valor de R$ 28.844.660,12, sendo R$ 10.427.891,82 referentes ao principal e R$ 18.416.768,30 aos juros, além de uma segunda parcela creditada em dezembro de 2025, no valor de R$ 22.171.258,28, composta por R$ 7.574.105,53 de principal e R$ 14.597.152,75 de juros, acrescentando que mais de R$ 31 milhões já teriam sido gastos, mas ao apresentar os números dessa forma, sem explicar a vinculação, as regras de aplicação, as obrigações legais, os percentuais, os processos administrativos e os limites técnicos, César mais confunde do que esclarece a população.
O problema não está em fiscalizar, cobrar ou questionar a aplicação de recursos públicos, pois esse é um papel legítimo de qualquer cidadão e de qualquer liderança política, o problema está em transformar um tema técnico e sério em discurso simplificado, tentando vender a ideia de que bastaria pegar o dinheiro do precatório e sair reconstruindo tudo, asfaltando ruas e resolvendo todos os problemas de Ubatã, como se gestão pública fosse feita no improviso, sem planejamento, sem licitação, sem projeto, sem fonte específica, sem prestação de contas e sem responsabilidade legal.
Quando César afirma ou sugere que o valor seria suficiente para reconstruir todos os espaços e ainda pavimentar a cidade, demonstra desconhecimento sobre o custo real de obras públicas, pois pavimentação exige drenagem, preparação de base e sub-base, levantamento técnico, acessibilidade, meio-fio, sinalização, material, máquinas, mão de obra, fiscalização, contratos, medições e uma série de etapas que não cabem em cálculo de rede social feito apenas para gerar desgaste político.
Também é preciso separar com clareza o que é investimento em educação, o que é obra estadual, o que é responsabilidade municipal e o que é mera tentativa de criar confusão na opinião pública, porque misturar tudo no mesmo discurso pode até render engajamento, mas não contribui com o debate sério sobre Ubatã, não orienta a população corretamente e não apresenta nenhuma solução concreta para os problemas que o próprio César afirma querer resolver.
A postura do ex-candidato, reforçada pela colaboração política na publicação, evidencia mais uma estratégia de ataque do que uma contribuição responsável ao debate público, já que ele apresenta números altos, cria impacto com frases fortes, mas deixa de lado a explicação técnica necessária para que a população compreenda o que pode e o que não pode ser feito com os recursos, quais despesas são permitidas, quais obras dependem do Estado e quais ações cabem de fato ao município.
Ubatã precisa de fiscalização, transparência e cobrança firme, mas também precisa de responsabilidade no discurso público, pois quem já exerceu mandato, quem já se apresentou como alternativa de governo e quem conta com apoio político em publicações públicas tem obrigação de tratar a população com seriedade, sem criar falsas expectativas, sem confundir competências e sem transformar recursos vinculados da educação em ferramenta de palanque político.
Fonte: jornalista Mateus Oliver
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