O assassinato da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira conhecida como Mãe Bernadete terá um novo capítulo no Tribunal do Júri com o julgamento de Josevan Dionísio dos Santos conhecido como BZ ou Buzuim marcado para o dia 13 de outubro de 2026 às 8h no Fórum Ruy Barbosa em Salvador.

Josevan será o terceiro acusado pelo crime a ser submetido ao julgamento popular e segundo a acusação teria participado diretamente da execução da líder quilombola efetuando disparos contra a vítima durante a invasão da residência localizada no Quilombo Pitanga dos Palmares em Simões Filho.

Mãe Bernadete foi assassinada no dia 17 de agosto de 2023 aos 72 anos dentro da própria casa onde também funcionava a sede da associação quilombola e de acordo com informações oficiais do Ministério Público da Bahia a vítima foi atingida por 25 disparos de arma de fogo enquanto três netos dela estavam no imóvel.

As investigações apontaram que a motivação do homicídio estaria ligada à postura firme de Mãe Bernadete contra a expansão do tráfico de drogas dentro do Quilombo Pitanga dos Palmares e contra a instalação de pontos utilizados por integrantes de uma organização criminosa que atuava naquela região.

Segundo o Ministério Público a líder quilombola havia se posicionado contra atividades ilícitas dentro da comunidade e também contra uma barraca apontada nas investigações como utilizada para comercialização de drogas situação que teria provocado conflitos com integrantes do grupo criminoso.

Durante o primeiro julgamento relacionado ao assassinato investigadores ouvidos em plenário relataram que os elementos reunidos durante a apuração indicavam Arielson da Conceição Santos e Josevan Dionísio dos Santos como responsáveis pelos disparos efetuados contra Mãe Bernadete.

Arielson afirmou durante seu interrogatório que teria chamado Josevan para ir até a residência da líder quilombola com a intenção segundo sua versão de apenas assustá-la e atribuiu ao outro acusado a realização da maioria dos disparos porém essa declaração integra a versão apresentada pelo próprio réu e será confrontada com as demais provas durante o julgamento de Josevan.

Josevan foi pronunciado para responder por homicídio qualificado sob acusação de participação direta na execução e permanece preso preventivamente enquanto aguarda o julgamento marcado para outubro.

O processo dele foi separado do julgamento dos demais acusados e a sessão inicialmente prevista para acontecer em Simões Filho foi transferida para Salvador por decisão judicial por meio do chamado desaforamento mecanismo que permite a realização do júri em outra comarca nas hipóteses previstas pela legislação.

Em abril deste ano Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos foram julgados no Fórum Ruy Barbosa e condenados pelo assassinato de Mãe Bernadete após o Conselho de Sentença acolher a acusação apresentada pelo Ministério Público.

Arielson apontado como executor recebeu pena de 40 anos 5 meses e 22 dias de prisão enquanto Marílio apontado como mandante foi condenado a 29 anos e 9 meses pelos crimes reconhecidos durante o julgamento.

O Ministério Público sustentou naquele júri que o assassinato estava relacionado à atuação da vítima contra o tráfico de drogas no território quilombola e destacou que as investigações envolveram a Polícia Civil o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e outros setores responsáveis pela apuração do caso.

Além de Josevan outros acusados ainda aguardam julgamento individual pela participação que lhes é atribuída no assassinato e caberá agora ao Conselho de Sentença analisar especificamente as provas relacionadas à atuação de BZ no crime.