O senador Jaques Wagner do PT comemorou nesta terça-feira 18 o avanço no Senado da proposta que busca acabar com a escala de trabalho 6×1 e atribuiu à mobilização popular e sindical a pressão necessária para fazer com que a discussão avançasse dentro do Congresso Nacional.

Durante encontro realizado no Sindiquímica Bahia acompanhado de Rui Costa Wagner afirmou que a proximidade da análise da matéria pela Comissão de Constituição e Justiça é consequência direta das manifestações de trabalhadores movimentos sociais e entidades sindicais que passaram a cobrar mudanças na jornada de trabalho.

O presidente do Senado Davi Alcolumbre colocou recentemente entre as prioridades da Casa a PEC 221 de 2019 que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas sem diminuição salarial sendo que a matéria deverá passar pela Comissão de Constituição e Justiça antes de seguir sua tramitação.

A proposta chegou ao Senado depois de avançar na Câmara dos Deputados e a própria Agência Senado informou que o texto será analisado pela CCJ antes de uma eventual votação no plenário da Casa.

Ao comentar o cenário Wagner afirmou que a pressão exercida fora do Congresso é determinante para pautas relacionadas aos direitos dos trabalhadores avançarem e declarou que sem organização popular determinadas propostas enfrentam maiores dificuldades para conquistar espaço no Legislativo.

“Se a escala 6×1 está na boca de ser votada na Comissão de Constituição e Justiça é por conta do peso do grito e da batalha das ruas se não gritarmos alto não andamos no Congresso Nacional”, afirmou o senador durante o encontro.

O senador também relacionou as dificuldades para avançar com determinadas pautas trabalhistas à atual composição política do Congresso e afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não dispõe de uma maioria consolidada no Legislativo.

Para Wagner forças políticas conservadoras ganharam influência dentro do Parlamento e esse cenário exige maior capacidade de articulação política do governo além da participação organizada de sindicatos trabalhadores e movimentos sociais para pressionar pela votação de propostas consideradas prioritárias.

“Nós precisamos entender que os movimentos social sindical e dos trabalhadores rurais sem terra são fundamentais para a evolução da justiça social na democracia burguesa ou a gente grita berra e se organiza ou não vamos ver nada”, declarou.

O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou novo impulso no Senado após o recesso parlamentar e no final de julho a Agência Senado já apontava expectativa de retomada da discussão em agosto com parlamentares defendendo a votação da proposta.

Além da discussão sobre a jornada de trabalho o encontro teve caráter simbólico para Jaques Wagner devido à relação histórica do senador com o movimento sindical baiano e particularmente com os trabalhadores da indústria petroquímica.

Antes de construir sua trajetória política institucional Wagner teve atuação sindical no Polo Petroquímico de Camaçari e passou pelo Sindiquímica Bahia ambiente que teve papel importante em sua formação política e posteriormente em sua participação na organização do movimento sindical no estado.

O encontro desta terça reuniu representantes de diferentes centrais e entidades sindicais entre eles Luciomar Machado presidente em exercício da CUT Bahia Alfredo Santos presidente do Sindiquímica Mário Conceição presidente da CSB Bahia Emerson Gomes presidente da Força Sindical Bahia e vice-presidente do Sintepav e Rosa de Souza presidente da CTB Bahia.

A movimentação acontece no momento em que o fim da escala 6×1 volta ao centro das discussões no Senado e coloca novamente a redução da jornada de trabalho entre os temas trabalhistas de maior repercussão no Congresso Nacional.

Fonte: jornalista Mateus Oliver