Advogado repudia associação do nome do fazendeiro ao duplo homicídio em Colônia de Una, afirma que investigação deve prosseguir e sustenta que não há elemento concreto que demonstre participação do investigado nos crimes

A defesa de Tiago Miguel de Abreu Ferreira Neves, conhecido como Tiago da Juerana, divulgou manifestação pública repudiando as informações que vêm associando o nome do fazendeiro às mortes de Edcarlos Sampaio Menezes, o Mutuca, e Valmir Magalhães dos Santos, além da tentativa de homicídio contra Ivan Jesus de Santana, ocorridas no dia 15 de agosto no Distrito de Colônia de Una, no Sul da Bahia.

Tiago passou a ser citado no âmbito da investigação após o cumprimento de mandado de busca e apreensão em uma propriedade rural vinculada a ele no município de Una, diligência realizada pela Polícia Civil dentro do inquérito que apura o ataque que terminou com duas pessoas mortas e uma terceira ferida.

Em nota encaminhada à imprensa, a defesa afirma repudiar de forma veemente qualquer acusação de que Tiago teria determinado, contratado, incentivado ou participado da execução das vítimas e sustenta que, até o momento, não teve acesso a nenhuma prova concreta capaz de estabelecer vínculo direto entre o investigado e a prática criminosa.

Segundo a defesa, os elementos disponíveis e os documentos públicos relacionados ao pedido de busca e apreensão indicariam, na avaliação dos advogados, a existência de suspeitas e linhas investigativas que ainda precisam ser comprovadas, razão pela qual considera inadequado apresentar o investigado como responsável pelos crimes antes da conclusão das apurações e eventual apreciação judicial.

“É fundamental distinguir suspeita de prova”, sustenta a manifestação, ao defender que a gravidade dos fatos não permite que hipóteses investigativas sejam tratadas publicamente como conclusões definitivas.

A defesa também invocou os princípios constitucionais da presunção de inocência, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa e afirmou que Tiago não pode ser socialmente condenado antes que eventuais elementos contra ele sejam submetidos aos procedimentos previstos em lei.

Adefesa ainda alega que a repercussão do caso tem provocado danos à honra, à imagem, à atividade profissional e à vida pessoal do fazendeiro e afirmam que poderão adotar medidas jurídicas contra conteúdos considerados falsos, distorcidos ou que atribuam responsabilidade criminal a Tiago sem respaldo probatório.

Apesar das críticas à forma como parte das informações vem sendo divulgada, a defesa afirma não se opor à investigação e defende que o inquérito seja conduzido de forma rigorosa pela Polícia Civil para que sejam esclarecidas a autoria, a motivação e todas as circunstâncias envolvendo o ataque.

A manifestação ressalta ainda que Tiago se coloca à disposição da autoridade policial para prestar esclarecimentos e reafirma que ele nega qualquer participação nas mortes de Mutuca e Valmir e na tentativa de homicídio contra Ivan.

A defesa também cita a atuação econômica do investigado na zona rural de Una e afirma que Tiago emprega mais de 50 trabalhadores regularmente, número que, segundo o advogado, ultrapassaria 250 pessoas durante o período da safra do café, argumentando que as acusações têm repercutido diretamente sobre sua imagem pessoal e profissional.

O ataque que originou a investigação ocorreu nas proximidades do Galpão de Eventos de Colônia de Una, quando homens armados chegaram ao local e efetuaram diversos disparos. Edcarlos Sampaio Menezes morreu no local, enquanto Valmir também foi atingido e não resistiu aos ferimentos. Uma terceira vítima ficou ferida.

Dias depois, a Polícia Civil cumpriu mandado de busca e apreensão em propriedade vinculada a Tiago e recolheu materiais que passaram a integrar as diligências do inquérito. O cumprimento da ordem judicial, por si só, não representa condenação nem comprovação definitiva de autoria, e a investigação segue sob responsabilidade das autoridades competentes.

“Tiago Neves confia na Justiça e espera que a verdade dos fatos prevaleça sobre especulações”, concluiu a defesa.

A manifestação é assinada pelo advogado Dr. Jarih Mitri El Ferzoli.

Fonte: jornalista Mateus Oliver

 

NOTA DE DEFESA NA ÍNTEGRA

Em relação as matérias jornalísticas que circulam em blogs, tvs, redes sociais etc, relativo a operação policial na fazenda Juerana, a defesa de Tiago Neves (Tiago da Juerana) repudia veementemente as acusações e afirma a inexistência de elementos que vinculem o investigado à morte de Edcarlos Sampaio Menezes (Mutuca).

A defesa de Tiago Neves vem a público manifestar seu absoluto repúdio às acusações que tentam atribuir a ele a suposta determinação para a morte de Edcarlos Sampaio Menezes, Valmir da Colônia, e Ivan que ficou ferido, e vinculando seu nome como, investigado ou suspeito acusado.

A defesa sustenta que a imputação, tal como vem sendo divulgada, não está amparada em prova concreta capaz de demonstrar que Tiago Neves tenha determinado, contratado, incentivado ou participado da prática criminosa.

Até o momento, segundo os elementos de que a defesa dispõe e os documentos constantes no processo público da Busca e apreensão, a suspeita estaria assentada em ilações, conjecturas, interpretações e associações desprovidas de demonstração objetiva, não sendo apresentada prova que estabeleça vínculo direto entre Tiago Neves e a execução do crime.

É fundamental distinguir suspeita de prova.

A gravidade de uma acusação criminal não autoriza que conjecturas sejam apresentadas como fatos, tampouco que uma pessoa seja socialmente condenada antes da existência de elementos probatórios submetidos ao devido processo legal.

A Constituição Federal assegura que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória, além de garantir o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.

A defesa também chama atenção para o fato de que acusações dessa natureza produzem consequências que ultrapassam o processo judicial, atingindo diretamente a honra, a imagem, a reputação profissional e a vida pessoal do acusado.

No caso de Tiago Neves, a divulgação de uma imputação de tamanha gravidade, sem a correspondente demonstração probatória, vem causando significativo prejuízo à sua imagem e à sua reputação.

A defesa, portanto, rechaça categoricamente qualquer tentativa de transformar conjecturas em verdades ou suspeitas em provas.

Não se pretende impedir qualquer investigação. Ao contrário: somos a favor da investigação e de forma rigorosa a defesa defende que os fatos sejam rigorosamente investigados e que todas as circunstâncias sejam esclarecidas pelas autoridades competentes. O que se espera é que a investigação seja conduzida com a cautela e responsabilidade que peculiar ao delegado da delegacia Territorial de Una-Ba, observando-se os limites da lei e, sobretudo, a necessidade de que qualquer acusação seja sustentada por elementos concretos e verificáveis.

A defesa reafirma que Tiago Neves nega qualquer participação na morte de Edcarlos Sampaio Menezes, Valmir da Colônia e tentativa contra o Ivan, reitera sua inocência, ressaltando que Tiago Neves se coloca a disposição da autoridade policial para quaisquer esclarecimentos.

Caso existam provas capazes de sustentar a acusação, caberá às autoridades apresentá-las e submetê-las ao devido processo legal. Entretanto, na ausência de elementos probatórios concretos, não é juridicamente aceitável que ilações, conjecturas ou meras suspeitas sejam utilizadas para construir uma narrativa de culpabilidade, para destruir a imagem moral e afetar o âmago de um agricultor trabalhador que emprega mas de 50 pessoas e na safra do café o número de trabalhadores ultrapassa 250 pessoas.

A defesa permanecerá adotando todas as medidas jurídicas cabíveis para preservar a honra, a imagem e os direitos de Tiago Neves, inclusive para contestar eventuais informações falsas ou distorcidas que lhe atribuam responsabilidade pelo crime sem respaldo em provas.

Tiago Neves confia na Justiça e espera que a verdade dos fatos prevaleça sobre especulações.

Dr Jarih Mitri El Ferzoli
Advogado
OAB/ES 13.979
OAB/BA 78.858
E-mail:
elferzoli.advogados@gmail.com