Relações de ACM Neto com Banco Master e investigado da Overclean geram questionamentos
As relações do candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) com o Banco Master e com o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, passaram a ser questionadas publicamente após a divulgação de documentos e informações de investigações distintas, enquanto Neto nega ter cometido irregularidades e afirma que os serviços prestados ao banco foram legítimos.
No caso Master, registros obtidos pela imprensa a partir da quebra de sigilos apontam pagamentos de cerca de R$ 5,4 milhões à A&M Consultoria, empresa ligada a ACM Neto, entre 2023 e 2025, e o ex-prefeito afirma que os valores correspondem a serviços efetivamente prestados mediante contratos formais e com recolhimento de impostos.
Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco, alegou em uma proposta de colaboração premiada que ACM Neto e Antônio Rueda, presidente do União Brasil, teriam atuado para captar recursos de institutos de previdência e da Cedae para o Master em troca de uma comissão de 10%, mas a proposta foi recusada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República e o relato não informa quanto teria sido efetivamente pago aos dois políticos nem descreve um ato concreto de Neto junto às entidades citadas.
ACM Neto classificou as alegações de Vorcaro como fantasiosas e mentirosas, disse que não exercia cargo público no período e afirmou estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos, enquanto Rueda também negou irregularidades e sustentou que seus contratos profissionais tinham objeto legítimo.
Em outra frente, a Operação Overclean investiga suspeitas de fraudes em contratos públicos e tem José Marcos de Moura entre os personagens investigados.
A Polícia Federal pediu autorização para realizar uma busca contra ACM Neto em uma etapa da apuração, mas o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, negou a medida por entender que não havia indícios diretos suficientes para autorizá-la.
O pedido da PF, portanto, não equivale a uma conclusão de culpa contra o candidato.
Uma empresa de Moura, a MM Limpeza Urbana, também aparece em registros da Receita Federal examinados pela imprensa como destinatária de aproximadamente R$ 1,43 milhão do Banco Master, em rubrica identificada como rendimentos de capital.
O registro estabelece uma relação financeira da empresa com o banco, mas, isoladamente, não demonstra ligação entre esse pagamento e os contratos da consultoria de ACM Neto ou as suspeitas apuradas na Overclean.
Os fatos divulgados justificam perguntas sobre a natureza dos contratos, dos contatos e das articulações mencionadas nas investigações.
Até o momento, porém, os elementos citados não permitem afirmar que ACM Neto tenha recebido a comissão alegada por Vorcaro nem que os casos Master e Overclean integrem um mesmo esquema.
A distinção entre pagamentos registrados, versões apresentadas aos investigadores e conclusões judiciais é essencial para acompanhar o desdobramento das apurações.
Fonte: jornalista Mateus Oliver












