Dados do Ministério da Saúde apontam que, em 2023, foram registrados 341.806 acidentes com animais peçonhentos no Brasil, 12% dos casos, ocasionados por aranhas, o que corresponde à segunda maior causa de envenenamento no Brasil. Na Bahia, entre janeiro e junho de 2024, foram notificados 605 acidentes com este tipo de animal, com frequência inferior à de escorpiões, serpentes e abelhas.

De acordo com a bióloga do Centro de Informação e Assistência Toxicológica da Bahia – CIATox-BA, Juliana Almeida Silva, é recomendado que o indivíduo acidentado lave bem o local da picada, com bastante água e sabão; que a pessoa seja colocada em repouso; que caso o acidente com o animal peçonhento tenha ocorrido nos membros inferiores, lavar os membros; tentar manter o indivíduo calmo e levá-lo imediatamente para a unidade de saúde mais próxima. “Caso seja possível fazer a captura deste animal, ótimo, pode levar junto, em segurança, para fazer a identificação. Caso consiga tirar uma fotografia, uma foto nítida, também é válido e até mais recomendado para evitar um possível segundo acidente”, explica.

A especialista alerta que não é recomendado fazer torniquete, ou seja, amarrar o local próximo à picada, ou passar substâncias como manteiga, alho e folhas. O CIATox-BA dispõe de plantão toxicológico 24 horas, com médicos e enfermeiros que prestam auxílio às unidades de saúde no diagnóstico e tratamento desses pacientes.

“Em relação à frequência de acidentes por animais peçonhentos, nós temos dados de 2023 que os escorpiões ocupam o primeiro lugar em acidentes por animais peçonhentos, 73%, seguido dos acidentes provocados por serpentes, com 10,8% dos casos, 7,1% dos casos de acidentes por animais peçonhentos são provocados por abelhas, seguido de 3,3% provocados por aranha”, aponta a bióloga.

Segundo ela, houve um aumento no número de acidentes por abelhas, ultrapassando, inclusive, o número de acidentes por aranha, e esse dado chama a atenção pela possível associação com novos hábitos urbanos. “Muitas construções civis de formas demasiadas, onde esses animais fazem a migração para qualquer ambiente, principalmente, para o ambiente urbano e periurbano, provocando um aumento no número desses casos”, explica.

O Ministério da Saúde detalha que acidentes por aranhas, ou araneísmo, é o quadro clínico de envenenamento decorrente da inoculação da peçonha de aranhas, através de um par de ferrões localizados na parte anterior do animal. “Aranhas já são o segundo maior causador de envenenamentos por animais peçonhentos no Brasil, ficando atrás apenas dos escorpiões. Embora apenas 3 grupos de aranhas causem acidentes graves no país, elas fazem parte do nosso convívio, seja dentro de casa, nos quintais e parques”, alerta o coordenador-geral de Vigilância de Zoonoses e Doenças de Transmissão Vetorial do Ministério da Saúde, Francisco Edilson Ferreira.

Sobre os sintomas, cada grupo de animais vai apresentar seus sintomas específicos, inclusive, entre os gêneros. No caso dos escorpiões, a bióloga cita as duas principais espécies presentes na Bahia: o escorpião amarelo, que é o Tityus serrulatus, e o escorpião listrado, que é o Tityus stigmurus.

No caso das aranhas, há três principais espécies presentes na Bahia, que são venenosas, podendo causar óbito a um indivíduo acidentado, são: a viúva negra, que tem um quadro clínico específico, provocando dor no local da picada, pelo corpo, mal estar, suor frio, tremores; a aranha marrom, cujos sintomas do acidente são dor, inchaço e ferida com crosta preta no local da picada, com difícil de cicatrização, e nas formas mais graves, elas apresentam lesões no fígado e nos rins, podendo levar o indivíduo à morte; além da aranha armadeira, que consegue saltar e efetuar a picada, com quadro clínico de dor forte, inchaço no local da picada. No caso de acidentes com aranhas marrons e aranhas armadeiras, é usado o soro antiaracnídico.

Pela presença destes animais em área residencial, especialmente em janelas, portas e rodapés, Juliana Almeida Silva orienta sempre sacudir as roupas, verificar os calçados antes de utilizá-los, manter as camas e os berços afastados das paredes, e sempre manter o ambiente limpo. “Geralmente, os acidentes provocados pelas aranhas marrons são ocasionados no momento em que um indivíduo vai se vestir ou calçar o sapato, por conta da pressão que a gente exerce quando vai vestir alguma roupa, ou às vezes está no lençol, subiu no lençol e o indivíduo deita por cima”, revela.