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A classe artística de Jequié, Bahia, encontra-se em um estado de profunda insatisfação e insegurança financeira, visto que uma parcela significativa dos músicos e bandas locais que se apresentaram no São João de 2025 ainda não recebeu os cachês devidos pela Prefeitura Municipal.

O problema se arrasta há meses e tem gerado um clamor por justiça e transparência, especialmente porque o evento junino, promovido com a promessa de valorizar a cultura e a economia local, não está cumprindo com seus compromissos básicos para com os artistas da própria terra.

Esta inadimplência é particularmente criticada no momento em que a gestão do Prefeito Zé Cocá demonstra grande agilidade e capacidade de investimento ao iniciar, com bastante antecedência, a contratação e o anúncio de cantores de nível nacional para o São João de 2026.

A disparidade no tratamento é o principal foco das críticas, pois o município de Jequié, ao mesmo tempo em que investe milhões de reais para atrair grandes nomes do cenário musical brasileiro, como Simone Mendes, João Gomes, Pablo e Toque Dez (nomes citados em anúncios de edições anteriores e reforçando a política de grandes shows), negligencia o pagamento de seus talentos locais.

O São João de Jequié já é reconhecido pela grandiosidade de seu evento, o que demanda um aparato financeiro robusto, mas a capacidade de alocação de recursos não se traduz em pontualidade para os pagamentos menores, mas vitais, destinados aos músicos da cidade.

Os artistas locais, que dependem diretamente desses valores para a sua subsistência, manutenção de suas equipes e fomento de suas carreiras, veem-se em uma posição vulnerável, com suas finanças comprometidas devido à falta de honra dos contratos firmados pela Prefeitura em 2025.

O anúncio das atrações de grande porte para o São João de 2026, feito com pompa e buscando criar expectativa pública, funciona como um contraste doloroso para os artistas que ainda aguardam o pagamento do ano que passou.

Este movimento da administração municipal sinaliza uma clara priorização do espetáculo e da atração de visibilidade externa, em detrimento do cumprimento das obrigações básicas com os profissionais da cultura que residem e trabalham em Jequié.

A política de grandes shows nacionais é importante para a economia e o turismo da cidade, mas não pode ser construída sobre o calote dos artistas locais.

A situação levanta sérias dúvidas sobre a transparência da gestão dos recursos públicos e sobre a real política de valorização cultural do município, questionando-se se a Prefeitura de Jequié está, de fato, cumprindo com a legislação que prevê a destinação de uma porcentagem de recursos para artistas regionais e locais.

O atraso no pagamento do São João de 2025, enquanto se anuncia a programação de 2026, cria um ambiente de desconfiança e insegurança, podendo, inclusive, desmotivar a participação dos talentos locais na próxima edição do evento, minando a essência cultural e a autenticidade do São João da cidade.

A Prefeitura Municipal de Jequié, buscando justificar o atraso no pagamento de parte dos cachês devidos aos artistas locais que se apresentaram no São João de 2025, utilizou a alegação de que apenas 13 dos contratados estariam inadimplentes devido à entrega de documentos faltosos ou incompletos após o período dos festejos juninos.

Esta defesa oficial, contudo, levanta uma série de questionamentos e contradições que expõem falhas na gestão e fiscalização dos contratos por parte do poder público municipal, especialmente no que tange ao princípio da transparência e da responsabilidade administrativa.

​O ponto que mais chama a atenção na justificativa da prefeitura é a omissão na fiscalização documental antes da realização dos shows. Se a ausência de documentação é o motivo do não pagamento, é imperativo questionar por que o poder público só conseguiu “enxergar” essa falha após os artistas terem se apresentado no palco.

A regra básica para a contratação de serviços por órgãos públicos exige a apresentação e conferência de todas as certidões e documentos fiscais e legais antes da assinatura do contrato e, crucialmente, antes da prestação do serviço.

Permitir que artistas subam ao palco e cumpram suas obrigações contratuais para, em seguida, alegar a falta de documentos como motivo para reter o pagamento, transfere indevidamente a responsabilidade da fiscalização do município para o próprio contratado.

Fonte: Jornalista Mateus Oliver