A Gestão de Tiago Birschner em Una e o Histórico de Irregularidades Administrativas, Multas e Crise Institucional
A trajetória administrativa de Tiago Birschner em Una, que atualmente exerce a função de chefe de gabinete da prefeitura sob a gestão de Rogério Borges (PP), permanece sob intenso escrutínio devido a uma série de condenações e práticas controversas que marcaram seus mandatos anteriores.
Entre os casos mais graves que vieram à tona recentemente está o escândalo da “falsa biomédica”, uma profissional que atuava sem registro legal na principal unidade de saúde do município e que fazia parte do quadro de confiança do ex-prefeito.
A farsa foi descoberta após uma investigação do Conselho Regional de Biomedicina do Nordeste, revelando que a mulher emitia laudos e diagnósticos no Hospital Municipal Frei Silvério, o que levanta a suspeita de que dezenas de mortes tenham ocorrido em decorrência de tratamentos indevidos baseados em exames fraudulentos.
Além do colapso ético na saúde, Tiago Birschner enfrenta acusações diretas de desrespeito ao Poder Judiciário e à segurança pública municipal, com denúncias de que o governo promoveu o desvio de funções de servidores concursados para fins políticos.
Relatos apontam que porteiros e vigias foram deslocados de suas funções originais para atuar na Guarda Patrimonial, enquanto novas contratações irregulares eram realizadas, ignorando decisões judiciais que buscavam regularizar a estrutura administrativa.
Essa postura compromete a organização do município e expõe a prefeitura a novos processos por improbidade administrativa, uma vez que a gestão de recursos humanos deve seguir rigorosamente os preceitos de legalidade e as competências estabelecidas em concurso público.
No âmbito jurídico e fiscal, o ex-prefeito acumulou derrotas expressivas, incluindo uma recente decisão judicial favorável ao jornalista Mateus Oliver, após o gestor tentar contestar a divulgação de dados sobre o excesso de multas em seu governo.
Dados oficiais do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM/BA) confirmam que o volume de sanções aplicadas a Birschner por irregularidades superou em mais de 300% a média dos últimos 27 anos, totalizando quase oitenta mil reais em penalidades individuais.
Somado a isso, o TCM identificou a sonegação deliberada de informações previdenciárias destinadas ao INSS nos anos de 2017 e 2018, conduta que gerou prejuízos diretos aos cofres públicos por juros de mora e pode acarretar a suspensão dos direitos políticos do atual chefe de gabinete por até oito anos.
A infraestrutura do município no âmbito estadual também apresenta sinais de falhas técnicas graves que tem como principal culpado o ex-Prefeito, como no projeto de pavimentação da Estrada Una x Colônia (BA-676), onde o ex-prefeito teria assumido a elaboração técnica para acelerar a obra com propósitos eleitorais.
No entanto, o projeto entregue pela equipe contratada por Birschner continha erros grotescos relacionados ao meio ambiente e aos limites de propriedades vizinhas, o que impediu a execução por parte da empresa contratada e travou os repasses estaduais.
Simultaneamente, pairam dúvidas sobre um suposto déficit de R$ 1,1 milhão deixado pela ex-gestão e a falta de transparência na aplicação de R$ 500 mil em “emendas PIX” recebidas em 2024, caso que já resultou em notificação por parte do Ministério Público Federal (MPF) pela ausência de prestação de contas adequada.
Mesmo ocupando a chefia de gabinete, Tiago Birschner mantém uma influência central na administração atual, marcada por relatos de postura autoritária e falta de transparência por parte da Secretaria de Saúde, gerida por sua própria irmã.
O cenário de desvio de funções, multas recordes no TCM e o gravíssimo escândalo da falsa profissional de saúde desenham o retrato de uma gestão que opera frequentemente à revelia das normas institucionais e do bem-estar da população.
Enquanto a defesa do ex-gestor tenta minimizar os impactos das decisões judiciais, as evidências colhidas pelos órgãos de fiscalização e pela imprensa reforçam a necessidade de uma apuração rigorosa sobre o uso dos recursos públicos, o respeito às instâncias democráticas, à vida dos cidadãos de Una e até mesmo de instituições judiciárias para apuração de possíveis blindagem ao gestor devido a inúmeros descumprimentos com seguidos repetecos dos ilícitos mesmo após as decisões e recomendações de órgãos como o Ministério Público Estadual, que diante da situação não imputou nenhuma penalidade ao caos, deixando no ar uma dúvida sobre possível prevaricação.
Fonte: Jornalista Mateus Oliver













