:: 13/jul/2026 . 19:47
Justiça afasta vereador e secretário da prefeitura de Salvador em investigação sobre esquema de R$ 38 milhões
A Justiça da Bahia determinou o afastamento do vereador de Salvador George Reis (UB) e do secretário municipal de Manutenção da Cidade, Luciano Sandes, no âmbito de uma investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais do Ministério Público da Bahia sobre a existência de um suposto esquema de fraudes em licitações, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro envolvendo contratos da administração municipal, a decisão também autorizou buscas em empresas e residências, bloqueio de bens e outras medidas cautelares contra os investigados.
De acordo com a decisão da 3ª Vara das Garantias de Salvador, a investigação apura a atuação de uma suposta organização criminosa que estaria infiltrada há aproximadamente dez anos na Secretaria Municipal de Manutenção da Cidade e na Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador, o grupo seria dividido em núcleos empresarial, operacional e de agentes públicos, que atuariam de forma coordenada para direcionar licitações, autorizar pagamentos irregulares e desviar recursos públicos por meio de contratos administrativos.
Segundo o Ministério Público, o núcleo empresarial seria comandado por Lázaro de Carvalho Nunes, Caroline Xavier da Cruz, Jandson de Carvalho Nunes e Ivan Rodrigo Ferreira de Almeida, apontados como responsáveis por um conjunto de empresas que inclui G3 Polaris Serviços, MP2 Construções, LN Distribuidora e Comércio, Podium Distribuidora e WLSP Logística e Transportes, essas empresas teriam sido utilizadas de maneira alternada em procedimentos licitatórios para criar uma aparência de concorrência e legalidade nas contratações.
A investigação também atribui a Marcelo Cerqueira de Lima, Antonio Matheus Montenegro Dourado Cardoso e Enison Oliveira Pinto a função de intermediar pagamentos e repassar supostas vantagens indevidas a servidores públicos, no núcleo político e administrativo George Reis, ex-diretor-geral e ex-secretário da pasta e atualmente vereador, e Luciano Sandes, atual secretário municipal de Manutenção, são apontados como figuras de influência sobre decisões relacionadas a contratos, pagamentos e aditivos.
Entre os contratos analisados está o Pregão Eletrônico nº 25 de 2018, cujo valor inicial e os aditivos totalizavam cerca de R$ 8,9 milhões, mas os pagamentos teriam alcançado mais de R$ 15,2 milhões, representando um aumento superior a 60%, em outro procedimento relacionado ao fornecimento de grama sintética para a DESAL, o valor teria passado de aproximadamente R$ 434 mil para mais de R$ 1,4 milhão em pagamentos.
O Ministério Público também aponta que integrantes de comissões de licitação, fiscais de contratos e servidores responsáveis por procedimentos administrativos teriam recebido transferências financeiras realizadas por pessoas ligadas às empresas investigadas, um dos casos citados envolve o servidor José Nazareno Gonçalves, que teria recebido R$ 118,5 mil por intermédio de um dos supostos operadores financeiros do grupo.
Ao analisar os elementos apresentados pelo GAECO, a Justiça autorizou buscas e apreensões em endereços vinculados aos investigados e às empresas, permitindo a coleta de documentos, contratos, anotações, computadores, pen drives, discos rígidos, celulares, valores em espécie sem origem imediatamente comprovada e outros materiais que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos.
A decisão também autorizou o acesso ao conteúdo armazenado nos equipamentos apreendidos, incluindo mensagens, registros de chamadas, e-mails, conversas realizadas por WhatsApp, Telegram e outros aplicativos, além de arquivos guardados em serviços de nuvem, todo o material deverá passar por perícia e ser preservado de acordo com as regras da cadeia de custódia.
Além de George Reis e Luciano Sandes, a Justiça determinou o afastamento das funções públicas de Lívia Iracema Silva dos Santos, Antonio Matheus Montenegro Dourado Cardoso e José Nazareno Gonçalves, para o magistrado a manutenção dos investigados nos cargos poderia representar risco à continuidade das apurações, à preservação de documentos e à regularidade de contratos ainda em execução.
O bloqueio patrimonial autorizado busca alcançar até R$ 38.321.127,95 em bens, direitos e valores relacionados aos investigados, segundo a decisão a medida tem como objetivo garantir eventual reparação dos prejuízos aos cofres públicos e impedir que o patrimônio seja transferido, ocultado ou utilizado para financiar novas práticas investigadas.
A Justiça ainda proibiu o contato entre integrantes dos diferentes núcleos investigados por qualquer meio, incluindo encontros presenciais, telefonemas, mensagens, redes sociais ou comunicação por intermédio de terceiros, o descumprimento das restrições poderá provocar a revisão das medidas e resultar na decretação de prisão preventiva.
O Ministério Público havia solicitado a prisão preventiva de seis investigados, entre eles empresários, o vereador e o secretário municipal, mas o pedido foi negado porque a Justiça considerou que o afastamento dos cargos, o bloqueio dos bens, a proibição de contato e as buscas seriam suficientes neste momento para impedir a continuidade das supostas irregularidades e preservar a investigação.
A decisão é cautelar e foi tomada durante a fase investigativa, portanto não representa condenação nem reconhecimento definitivo de culpa, os investigados ainda não foram denunciados e possuem direito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência durante o andamento do procedimento.
Fonte: jornalista Mateus Oliver
Justiça rejeita pedido de prisão, porém impõe medidas cautelares a ex-vereador investigado por tentativa de homicídio contra prefeito de Piraí do Norte
A Justiça da Bahia determinou a aplicação de medidas cautelares contra o ex-vereador Diego Souza da Silva, investigado por suposta tentativa de homicídio e ameaça contra o prefeito de Piraí do Norte, Heliton Fabiano Tavares da Silva, conhecido como Dr. Fabiano.
A decisão foi proferida pela juíza plantonista Camila Sousa Pinto de Abreu após pedido da Delegacia Territorial do município e manifestação favorável do Ministério Público do Estado da Bahia.
O caso é investigado e teria ocorrido por volta das 10h40 do dia 9 de julho, na Praça do Povo, no centro de Piraí do Norte, ocasião que de acordo com os autos o prefeito realizava atividades de gestão em via pública quando Diego, conduzindo uma Fiat Strada branca, teria emparelhado o veículo com a Chevrolet S10 ocupada pelo gestor, proferido ameaças e desferido um golpe de facão em direção à cabeça da vítima.
Ainda segundo a decisão, o golpe não atingiu o prefeito porque ele conseguiu se afastar rapidamente da janela e acionar o fechamento do vidro, portanto o facão teria atingido a lateral da porta do motorista e causado danos na borracha do veículo, circunstância registrada por fotografias e por requisição de exame pericial, além disso uma testemunha presencial que confirmou a narrativa apresentada à Polícia Civil.
Diego apresentou-se espontaneamente à polícia no dia seguinte e admitiu ter arremessado o instrumento contra o veículo do prefeito, porém apresentou uma versão diferente sobre a intenção da conduta, razão pela qual o documento judicial o trata como investigado e não informa a existência de indiciamento formal até esta fase do inquérito.
Ao analisar o pedido, a magistrada considerou que existem elementos iniciais relacionados à materialidade e aos indícios de autoria, com base no boletim de ocorrência que , nos depoimentos da vítima e da testemunha, nas marcas encontradas no veículo e no próprio interrogatório do investigado o qual o jornalista Mateus Oliver teve acesso, a decisão também registra que a motivação do episódio estaria relacionada a um inconformismo político após a cassação do mandato de vereador de Diego por fraude à cota de gênero, fato que ele atribuiria à influência do prefeito.
A Justiça também mencionou um boletim de ocorrência de agosto de 2025 envolvendo o investigado, no qual ele teria agredido servidores públicos e proferido ofensas dentro da Prefeitura, apesar disso a juíza entendeu que a prisão preventiva não seria necessária neste momento e considerou suficientes medidas menos gravosas para proteger a vítima, impedir novas aproximações e garantir o andamento das investigações.
Com a decisão, Diego ficou proibido de frequentar ou acessar os prédios destinados ao funcionamento da Prefeitura de Piraí do Norte e de suas secretarias, exceto em situações de necessidade de acesso a serviços essenciais de saúde ou segurança e mediante comunicação prévia ao juízo responsável pelo caso.
O ex-vereador também deverá manter distância mínima de 500 metros do prefeito Dr. Fabiano e dos familiares de primeiro grau do gestor, além de não poder manter qualquer tipo de contato por telefone, mensagens, redes sociais, e-mail, intermediários ou outros meios de comunicação.
As medidas cautelares terão duração inicial de seis meses e poderão ser prorrogadas ou revistas de acordo com o avanço das investigações, a decisão ainda adverte que o descumprimento injustificado de qualquer determinação poderá resultar na decretação da prisão preventiva de Diego Souza da Silva.
Após o cumprimento das medidas determinadas durante o plantão judiciário, o processo deverá ser encaminhado à Vara Criminal da Comarca de Gandu, responsável pela continuidade da análise do caso, o investigado não foi condenado e possui direito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência.
Fonte: jornalista Mateus Oliver
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