O deputado federal Jorge Solla (PT-BA) manifestou forte oposição ao Projeto de Lei Antifacção, aprovado recentemente pela Câmara dos Deputados. Para o parlamentar, o texto representa um retrocesso nas políticas de enfrentamento ao crime organizado e favorece a impunidade de lideranças criminosas.

Em entrevista ao MundoBA, Solla afirmou que o projeto, relatado pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP), “enfraquece os órgãos de investigação e desmonta estruturas que vinham obtendo resultados expressivos no combate às facções”. Ele classificou a proposta como uma “nova versão da PEC da Bandidagem”, em referência à antiga PEC da Blindagem, rejeitada pelo Senado.

De acordo com o deputado, o PL reduz a capacidade de atuação da Polícia Federal, da Receita Federal e de outros órgãos de controle, dificultando o bloqueio e a apreensão de bens ligados a atividades criminosas. “O texto cria obstáculos para operações que vinham desarticulando redes financeiras do crime. É um golpe na inteligência e na eficiência das investigações”, criticou.

Solla também questionou a condução política da proposta e a escolha do relator. Segundo ele, o projeto original tinha como objetivo fortalecer o combate às facções, mas foi alterado para atender a interesses contrários à segurança pública. “Transformaram uma iniciativa de enfrentamento em um instrumento de proteção aos chefes do crime”, afirmou.

O parlamentar defende que o foco do combate ao crime deve estar no rastreamento do dinheiro e na interrupção das fontes de financiamento das organizações criminosas. “Não é prendendo o pequeno traficante que se vence essa guerra. É preciso atingir o patrimônio e as estruturas financeiras que sustentam o crime”, destacou.

Solla espera que o Senado Federal rejeite o texto e que a sociedade se mobilize contra o avanço da proposta. “Esse projeto não fortalece o Estado, ele o enfraquece. É preciso reagir antes que o país retroceda no combate ao crime organizado”, concluiu.

Fonte: Jornalista Mateus Oliver