A publicação da “Posição de Estoque de Medicamentos” datada de 17/11/2025 no Diário Oficial do Município de Una desta quarta-feira, 19 de novembro de 2025, transcende a mera prestação de contas é a comprovação formal de uma crise que atinge a saúde pública e expõe a inoperância administrativa da Prefeitura Municipal de Una.

O documento, emitido pela Secretaria Municipal de Saúde, revela que a falta de medicamentos vitais é uma realidade crônica em toda a rede de atendimento, contradizendo a mensagem de que a gestão segue “com fé e trabalho”.

A situação mais grave reside no completo desabastecimento de itens cruciais em todas as unidades de saúde listadas, incluindo a Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF), o CSU e os postos de bairros.

O estoque zero de medicamentos como o Omeprazol 20mg, essencial para o tratamento de úlceras e gastrites, o Paracetamol 200mg/ml Frasco, fundamental na pediatria, a Espironolactona 100mg, vital para pacientes hipertensos e com problemas cardíacos, e a SULFADIAZIDA DE PRATA PT, indispensável em casos de queimaduras, significa que o tratamento de condições básicas e emergenciais está comprometido para a população de Una.

A escassez em unidades específicas de outros remédios como o Captopril 25mg e o Ibuprofeno 600mg , com a CAF também apresentando números baixos ou zero para alguns itens, aponta para um colapso logístico e de planejamento que se arrasta.

A negligência é ainda mais acentuada na área de medicamentos controlados quando o Diário Oficial confirma que não há estoque do Haloperidol Sol. Oral 2mg/ml , um antipsicótico crucial, nem da Amitriptilina 25mg , um antidepressivo, em nenhum dos três principais pontos de distribuição (CAF, CSU e CAPS).

A falta de continuidade no fornecimento desses fármacos de uso contínuo pode levar à desestabilização de pacientes com transtornos psiquiátricos graves, gerando riscos de crises e internações.

O baixo número da Clonazepan 2,5mg/ml Oral no CSU (apenas 6 unidades) , e o estoque zero na CAF e no CAPS, exemplifica um descontrole que ignora as necessidades mais sensíveis da comunidade.

A Secretaria da Saúde do Município de Una , ao publicar o próprio inventário de faltas , reconhece tacitamente a incapacidade de cumprir o Artigo 6º-A da Lei Federal nº 8.080/1990 , que estabelece a assistência terapêutica integral, incluindo o acesso aos medicamentos.

A saúde é um direito inalienável, e o desabastecimento documentado representa uma violação direta desse direito fundamental e a crise do estoque não é um mero problema de almoxarifado, mas sim um indicativo do descaso da gestão municipal com a vida e a dignidade dos cidadãos de Una, exigindo uma investigação e um plano de ação emergencial e transparente para sanar imediatamente essa situação crítica.

Fonte: Jornalista Mateus Oliver