O tratamento da doença de Alzheimer ganhou novas possibilidades com a chegada de medicamentos classificados como anticorpos monoclonais e com a disponibilidade de um exame capaz de identificar placas beta-amiloide no cérebro, novidades destacadas pelo médico geriatra Dr. Adriano Gordilho em vídeo direcionado a pacientes nas redes sociais.

Segundo o especialista, o cenário do tratamento da doença apresentou avanços importantes principalmente com a chegada do donanemab e do lecanemab, medicamentos inicialmente liberados pela agência reguladora dos Estados Unidos e posteriormente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa.

Os dois medicamentos são classificados como anticorpos monoclonais e atuam sobre as placas beta-amiloide presentes no cérebro de pessoas com demência causada pela doença de Alzheimer, sendo considerados drogas modificadoras da doença e utilizados dentro de protocolos específicos de avaliação e indicação médica.

De acordo com Gordilho, pacientes diagnosticados recentemente com transtorno cognitivo maior, também chamado de demência, provocado pela doença de Alzheimer devem ser avaliados para identificar se possuem critérios que permitam o uso dessas novas medicações, especialmente aqueles que se encontram em fases mais iniciais do quadro.

Outra novidade destacada pelo geriatra é a disponibilidade de um PET amiloide em Salvador, exame de imagem utilizado para detectar a presença de placas beta-amiloide no cérebro, sendo que, segundo o médico, o equipamento está disponível no Hospital Santa Isabel e estaria entre os primeiros desse tipo disponíveis no país.

O exame pode auxiliar na investigação de pacientes que estejam em fases iniciais da doença e integra o conjunto de avaliações necessárias para verificar se determinada pessoa pode ser considerada elegível para utilização dos novos medicamentos.

O médico ressaltou ainda que a indicação depende de avaliação individualizada e do preenchimento de critérios específicos, incluindo testes cognitivos, exames complementares e análise clínica detalhada, não sendo possível indicar as medicações apenas com base no diagnóstico inicial.

Pacientes em fase pré-clínica ou com Alzheimer em estágio inicial podem passar por essa avaliação, sendo que o objetivo, segundo Gordilho, é evitar que pessoas recém-diagnosticadas deixem de conhecer ou de ser avaliadas para novas possibilidades terapêuticas disponíveis.

O especialista reforçou que qualquer decisão sobre o uso de donanemab ou lecanemab deve ocorrer exclusivamente após avaliação médica e cumprimento do protocolo indicado, já que nem todos os pacientes com doença de Alzheimer se enquadram nos critérios necessários para receber esse tipo de tratamento.

Fonte: jornalista Mateus Oliver