:: 26/ago/2026 . 18:36
Mesmo após exposição envolvendo a esposa, Aleandro evita definir posição eleitoral e pode permanecer no mesmo campo político de Marquinhos
O presidente da Câmara Municipal de Itagibá, vereador Aleandro Santos da Silva, permanece sem apresentar uma definição pública clara sobre o caminho que pretende seguir nas eleições de outubro de 2026 mesmo após o desgaste político com o prefeito Marquinhos alcançar também sua esposa e ampliar a repercussão do episódio no município.
O cenário chama atenção porque o pronunciamento feito por Aleandro não foi acompanhado até agora de uma definição eleitoral capaz de demonstrar se o distanciamento do prefeito também será refletido nas alianças políticas deste ano ou se os dois poderão continuar apoiando candidaturas inseridas no mesmo campo político.
Essa possibilidade mantém aberta uma situação politicamente relevante em Itagibá já que eventual coincidência de apoios entre Aleandro e Marquinhos poderá preservar pontos de convergência entre os dois mesmo depois de um desgaste público que atingiu não apenas a relação entre Executivo e Legislativo mas também levou a família do presidente da Câmara para o centro da repercussão.
Aleandro ocupa uma posição estratégica na política municipal por comandar a Câmara de Vereadores enquanto Marquinhos permanece à frente da Prefeitura de Itagibá e justamente por isso o posicionamento eleitoral de ambos tende a ser acompanhado com atenção durante a formação das alianças para outubro.
Até o momento não há definição pública apresentada por Aleandro que permita afirmar uma mudança definitiva de campo eleitoral e também não há elemento suficiente para concluir que o desgaste com Marquinhos significará necessariamente apoio a candidaturas adversárias às defendidas pelo prefeito.
A indefinição faz com que o episódio continue produzindo repercussão política principalmente porque depois de uma exposição que alcançou sua própria esposa a expectativa em torno de Aleandro deixou de estar restrita à relação pessoal com Marquinhos e passou a envolver diretamente a posição que o presidente da Câmara adotará no processo eleitoral de 2026.
Com as eleições se aproximando os próximos movimentos de Aleandro deverão mostrar se o desgaste recente provocará efetivamente uma reorganização de suas alianças ou se apesar do episódio presidente da Câmara e prefeito ainda permanecerão próximos em determinadas escolhas eleitorais.
O espaço permanece aberto para manifestação de Aleandro do prefeito Marquinhos e das demais pessoas citadas sobre os fatos e sobre seus respectivos posicionamentos eleitorais.
Patrimônio de Robinho dispara quase 194% em quatro anos e chega a R$ 19,3 milhões em plena disputa por vaga na Câmara Federal
O deputado estadual Robinho, nome político de Carlos Robson Rodrigues da Silva, chega à disputa por uma vaga na Câmara Federal em 2026 com um patrimônio declarado à Justiça Eleitoral que chama atenção pelo tamanho do crescimento registrado em apenas quatro anos, em 2022 o parlamentar havia informado R$ 6.601.261,79 em bens, já neste ano o valor saltou para R$ 19.385.660,79, uma diferença de R$ 12.784.399,00 e crescimento de aproximadamente 193,66% no período.
O salto é ainda mais expressivo quando comparado ao histórico patrimonial de Robinho nas eleições anteriores, em 2008 ele declarou R$ 5.715.866,38, em 2014 o patrimônio informado foi de R$ 5.751.669,04, em 2018 chegou a R$ 5.945.844,61 e em 2022 alcançou R$ 6.601.261,79, ou seja, durante aproximadamente 14 anos o patrimônio declarado cresceu menos de R$ 900 mil, enquanto somente no intervalo entre 2022 e 2026 o aumento ultrapassou R$ 12,7 milhões.
A principal explicação encontrada na própria declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral está em uma participação societária registrada por Robinho em uma holding patrimonial, avaliada em R$ 13.375.113,00, valor que sozinho representa aproximadamente 69% de todo o patrimônio atualmente informado pelo candidato, além disso aparecem R$ 2.923.106,53 aplicados em renda fixa, um apartamento no bairro de Patamares, em Salvador, declarado por R$ 1.275.000,00, uma fazenda ou sítio no distrito de Posto da Mata avaliada em R$ 800 mil e R$ 700 mil declarados em dinheiro em espécie.
Entre os demais bens declarados aparecem ainda participação no capital social de instituição financeira, aplicações bancárias, veículos, consórcio de tratores ou caminhão e terreno localizado em Nova Viçosa, compondo um conjunto de 18 itens que elevou Robinho à condição de parlamentar candidato com maior patrimônio declarado entre os deputados estaduais baianos que disputam as eleições deste ano, segundo levantamento divulgado com base nos dados apresentados ao TSE.
O crescimento patrimonial declarado, por si só, não representa qualquer prova de irregularidade e os dados apresentados à Justiça Eleitoral correspondem aos valores informados pelo próprio candidato, mas a dimensão do aumento inevitavelmente coloca a evolução dos bens de Robinho sob escrutínio público, principalmente porque o salto ocorrido nos últimos quatro anos foi muito superior ao crescimento acumulado registrado em todas as eleições anteriores analisadas.
O que chama atenção não é apenas Robinho chegar a 2026 como milionário, condição que ele já possuía há anos, mas a velocidade com que os valores declarados mudaram, entre 2018 e 2022, por exemplo, seu patrimônio avançou aproximadamente 11%, passando de R$ 5,94 milhões para R$ 6,60 milhões, já no ciclo seguinte a elevação foi de quase 194%, colocando mais de R$ 12 milhões de diferença entre uma eleição e outra.
A participação de mais de R$ 13,3 milhões na holding patrimonial passa a ser, portanto, um dos principais pontos capazes de explicar essa mudança na fotografia patrimonial apresentada ao eleitor, e torna legítimo questionar quando essa participação foi constituída, quais bens foram integralizados na empresa, como ocorreu a avaliação desses ativos e qual foi a origem patrimonial da estrutura que passou a representar a maior parte da riqueza declarada pelo candidato.
Outro dado que merece atenção é a presença de R$ 700 mil declarados como dinheiro em espécie, além de quase R$ 3 milhões em aplicação de renda fixa, valores que, somados à participação societária e aos imóveis, mostram uma mudança significativa na composição patrimonial apresentada por Robinho ao TSE em relação ao cenário informado quatro anos atrás.
Robinho disputa em 2026 uma vaga de deputado federal pelo União Brasil, com o número 4444, e teve seu pedido de candidatura deferido pela Justiça Eleitoral, aparecendo atualmente como candidato apto e concorrendo normalmente no pleito de outubro.
Em plena campanha para trocar a Assembleia Legislativa pela Câmara dos Deputados, Robinho terá não apenas de convencer o eleitor sobre suas propostas para Brasília, mas também conviver com uma evolução patrimonial que naturalmente desperta atenção, afinal, enquanto muitos candidatos chegam à eleição tentando explicar redução ou estagnação dos próprios bens, ele apresenta ao TSE um crescimento de quase 194% em apenas quatro anos e passa de R$ 6,6 milhões para mais de R$ 19,3 milhões.
A pergunta que permanece não é se possuir patrimônio elevado representa algum problema, porque não representa, mas como ocorreu um crescimento dessa magnitude em período tão curto e quais operações patrimoniais estão por trás de uma diferença de quase R$ 13 milhões entre duas eleições consecutivas, esclarecimentos que podem ajudar o eleitor a compreender de forma transparente a evolução financeira de quem novamente pede seu voto nas urnas.
Fonte: jornalista Mateus Oliver, com levantamento realizado a partir de dados públicos da Justiça Eleitoral
Bebeto amplia campanha pelo interior, mas passagem anterior pela Câmara deixa cidades procurando quais recursos ele realmente destinou
O candidato a deputado federal Bebeto Galvão, do PSD, intensificou nas últimas semanas uma verdadeira peregrinação eleitoral pelo interior da Bahia em busca de apoios, lideranças e votos para retornar à Câmara dos Deputados, passando por municípios como Guaratinga, Nova Viçosa, Itabatã, Teixeira de Freitas, Eunápolis, Alcobaça, Vitória da Conquista e Itambé, em uma movimentação que busca ampliar sua base política principalmente no Extremo Sul e no Sudoeste do estado, regiões estratégicas para a disputa de 2026.
A movimentação, porém, abre uma pergunta inevitável para quem já ocupou uma cadeira em Brasília entre 2015 e 2019, afinal, quais investimentos concretos Bebeto destinou durante seu mandato anterior justamente para as cidades onde agora aparece pedindo apoio e defendendo maior representatividade política, já que a atual campanha apresenta o ex-deputado como uma alternativa para levar as demandas desses municípios ao Congresso Nacional.
Em Eunápolis, por exemplo, Bebeto afirmou durante sua agenda eleitoral que o município ainda carece de vozes capazes de levar suas demandas para além das fronteiras regionais, uma declaração politicamente forte, mas que também acaba se voltando contra o próprio candidato, porque ele já teve quatro anos de mandato federal e, nas buscas realizadas até agora por esta reportagem, não foi localizado um conjunto de grandes emendas individuais destinado ao município que corresponda ao protagonismo que ele agora promete oferecer caso retorne a Brasília.
A mesma cobrança pode ser feita em municípios como Guaratinga, Teixeira de Freitas, Alcobaça, Vitória da Conquista e Itambé, todos incluídos na recente ofensiva eleitoral do candidato, onde Bebeto tem buscado aproximação com lideranças políticas, empresários, movimentos sociais, trabalhadores e eleitores, mas onde não apareceu até o momento, nas pesquisas públicas realizadas para esta matéria, um histórico de grandes investimentos individuais de seu antigo mandato proporcional à intensidade com que essas cidades passaram a ser visitadas em pleno ano eleitoral.
O contraste fica ainda mais evidente quando se observa Ilhéus, município onde há registros objetivos de atuação parlamentar do ex-deputado, Bebeto destinou cerca de R$ 3 milhões para obras em áreas de risco, incluindo aproximadamente R$ 1,5 milhão para contenção no Alto do Socorro, R$ 245 mil para projetos de engenharia e cerca de R$ 1,4 milhão para intervenções no Alto do Nerival, além de outros recursos para saúde, desenvolvimento urbano e reforma da Central de Abastecimento, demonstrando que, quando houve atuação parlamentar concreta, ela deixou rastros financeiros que podem ser identificados no orçamento federal.
É justamente essa diferença que torna a atual expansão eleitoral de Bebeto pelo interior uma questão legítima para o eleitor, se em Ilhéus existem números, obras e emendas facilmente identificáveis, por que o mesmo histórico não aparece com a mesma força em várias das cidades onde o candidato agora desembarca prometendo representação, ouvindo demandas e construindo alianças.
A situação ganha ainda mais peso porque Bebeto não é um estreante na política nacional, ele já teve acesso direto ao Orçamento da União, estrutura parlamentar, assessoria e instrumentos para apresentação de emendas, portanto, diferentemente de candidatos que disputam uma vaga pela primeira vez, ele possui um mandato anterior que permite ao eleitor comparar aquilo que está sendo prometido agora com aquilo que foi efetivamente entregue quando teve oportunidade de atuar em Brasília.
Não há, até o momento, elementos para afirmar que Bebeto tenha deixado deliberadamente de ajudar qualquer desses municípios ou que não tenha realizado nenhuma ação em favor dessas regiões, já que atuação parlamentar também pode ocorrer por meio de emendas de bancada, articulações ministeriais, projetos legislativos e outras iniciativas que nem sempre aparecem em pesquisas simples, mas a ausência de grandes investimentos individuais facilmente identificáveis em parte das cidades visitadas torna legítima a cobrança por transparência e prestação de contas.
Se Bebeto pretende utilizar como argumento eleitoral a necessidade de dar voz aos municípios do interior, também terá de responder onde estava essa mesma prioridade entre 2015 e 2019, período em que já ocupava uma cadeira na Câmara e possuía exatamente os instrumentos que hoje promete utilizar caso seja novamente eleito.
Com a campanha de 2026 avançando, a expansão territorial do candidato pode lhe render novos apoios, mas também coloca seu mandato anterior sob uma lupa ainda maior, porque cada visita, cada discurso sobre abandono regional e cada promessa de representação abre espaço para uma pergunta simples que o eleitor pode fazer antes de decidir o voto, quanto Bebeto realmente destinou para minha cidade quando já teve a oportunidade de representar a Bahia em Brasília.
Fonte: jornalista Mateus Oliver, com levantamento baseado em registros públicos, dados do Orçamento da União e informações divulgadas sobre a agenda eleitoral de Bebeto Galvão
- 1













