Advogado conduzido à delegacia em Jequié afirma que estava em exercício profissional durante negociação para desocupação de imóvel arrematado por cliente
O advogado Vinícius Mattos Santana, conduzido à Delegacia Territorial de Jequié após uma ocorrência envolvendo a negociação para desocupação de um imóvel, apresentou sua versão sobre o episódio e afirmou à reportagem do Mateus Oliver Repórter que estava no exercício regular da advocacia quando foi surpreendido pela chegada de uma guarnição da Polícia Militar no interior da residência onde ocorria a conversa.
Segundo Vinícius, ele atua como procurador e advogado constituído do homem que teria adquirido o imóvel por meio de leilão, e sua presença no local teria como objetivo buscar uma solução amigável para a entrega da propriedade, sem necessidade de adoção imediata de outras medidas para retirada do ocupante.
Ainda conforme o advogado, antes do encontro teria ocorrido contato entre as partes para ajuste de uma conversa presencial, inicialmente prevista para acontecer em outro estabelecimento, porém o próprio morador teria sugerido que a reunião fosse realizada em sua residência, versão que também consta no termo de qualificação e interrogatório lavrado pela Polícia Civil, no qual Vinícius declarou possuir registros de conversas que comprovariam o agendamento prévio do encontro.
Em contato com a nossa reportagem, Vinícius reforçou que teria sido convidado pela suposta vítima a entrar no imóvel e que já se encontrava no interior da residência tratando da possibilidade de uma negociação amigável quando policiais militares chegaram ao endereço após serem acionados, momento em que a situação passou a ser tratada como ocorrência policial e ele foi posteriormente conduzido à delegacia.
A versão apresentada pelo advogado se contrapõe à narrativa inicialmente registrada na ocorrência, segundo a qual o morador teria relatado que estava sendo coagido no interior da residência e que Vinícius teria informado que o imóvel havia sido arrematado por seu cliente, apresentando condições relacionadas à permanência ou desocupação do bem, circunstâncias que motivaram a intervenção policial.
Por exercer a advocacia, Vinícius solicitou acompanhamento de representante da Ordem dos Advogados do Brasil durante os procedimentos, sendo posteriormente apresentado à Polícia Civil na condição de conduzido, onde foi formalmente ouvido e apresentou sua versão sobre os fatos.
O caso deverá ser analisado pela Polícia Civil a partir das declarações das partes, documentos relacionados ao imóvel, registros do leilão, eventuais notificações, conversas mantidas antes do encontro e demais elementos reunidos durante a apuração, cabendo à investigação esclarecer se houve alguma conduta criminal ou se a situação decorreu de uma tentativa de negociação relacionada à posse e desocupação do imóvel.
O Mateus Oliver Repórter ressalta que a condução de uma pessoa à delegacia e o registro de uma ocorrência não representam, por si só, reconhecimento de culpa, sendo assegurados ao investigado o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência até eventual decisão judicial definitiva.
Fonte: jornalista Mateus Oliver












