O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou durante a sabatina da TV Globo nesta quinta-feira (27) que pretende ampliar a participação do Governo Federal no enfrentamento ao crime organizado caso seja reeleito; ao tratar da segurança pública como um dos desafios nacionais, Lula defendeu uma atuação integrada entre União, estados e municípios, colocou a aprovação da PEC da Segurança Pública entre suas prioridades e voltou a defender posteriormente a criação de um Ministério da Segurança Pública.

Lula reconheceu que o crime organizado ampliou sua presença pelo território brasileiro e afirmou que o enfrentamento às organizações criminosas não pode ficar restrito à atuação isolada dos governos estaduais; segundo o presidente, será necessário definir de maneira mais clara qual responsabilidade caberá ao Governo Federal, aos estados e aos municípios, aumentando a integração das forças policiais e dos órgãos responsáveis pelas investigações.

“Eu quero estabelecer qual é a participação de cada ente federado na segurança pública”, afirmou Lula durante a entrevista; o presidente também destacou como prioridades o combate ao narcotráfico, a fiscalização das fronteiras e, principalmente, o enfrentamento das estruturas financeiras utilizadas pelas organizações criminosas para movimentar e ocultar recursos obtidos por meio de atividades ilegais.

A discussão possui reflexos diretos na Bahia, onde o avanço das facções e do tráfico vem mantendo a segurança pública no centro do debate político estadual; o governador Jerônimo Rodrigues já afirmou que pretende ampliar a parceria com o Governo Federal e declarou durante sabatina neste mês que espera contar com Lula e com um eventual Ministério da Segurança Pública para aumentar investimentos, construir unidades prisionais e fortalecer as ações integradas entre os diferentes níveis de governo.

Jerônimo também vem defendendo que as forças policiais tenham estrutura e armamento capazes de enfrentar organizações criminosas cada vez mais equipadas; durante outra sabatina realizada nesta semana, o governador afirmou que um policial não pode ser enviado para combater o crime organizado utilizando equipamento inferior ao empregado pelos criminosos, enquanto defendeu simultaneamente investimentos sociais, educacionais, esportivos e culturais como forma de impedir o recrutamento de jovens pelas facções.

A preocupação de Lula com a expansão do crime organizado na Bahia não surgiu apenas durante o período eleitoral; durante agenda realizada no estado em julho, ao tratar das transformações previstas com a Ponte Salvador-Itaparica, o presidente chegou a alertar Jerônimo Rodrigues sobre a necessidade de impedir que desenvolvimento econômico e crescimento urbano sejam acompanhados pela chegada de organizações criminosas, mencionando expressamente o risco de avanço do crime organizado.

Na estratégia apresentada agora durante a sabatina nacional, Lula afirmou que pretende também recuperar territórios sob influência das organizações criminosas e ampliar a cooperação entre os diferentes órgãos de segurança; a proposta inclui ainda maior atuação federal contra o narcotráfico e cooperação internacional, inclusive com os Estados Unidos, para atacar estruturas transnacionais responsáveis pelo tráfico de drogas e outras atividades criminosas.

A Bahia aparece como um dos estados onde essa integração defendida pelo presidente poderá ganhar maior peso caso as propostas avancem; Jerônimo já manifestou interesse no fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública, o Susp, em mais investimentos federais para equipamentos e estrutura policial e na instalação de uma unidade de segurança máxima no estado, defendendo que o combate às facções ultrapasse as fronteiras estaduais e envolva também a União e órgãos do sistema de Justiça.

Desta forma, embora Lula não tenha citado nominalmente a Bahia no trecho da sabatina em que apresentou sua proposta nacional para a segurança pública, o discurso sobre combate ao crime organizado converge diretamente com uma das principais reivindicações apresentadas pelo governo baiano ao Palácio do Planalto; a expectativa defendida por Jerônimo é justamente ampliar a presença da União no financiamento, inteligência, sistema prisional e integração operacional para tentar reduzir a força das organizações criminosas que atuam no estado.

Fonte: Jornalista Mateus Oliver