Coligação de Lula denuncia distribuição de criptomoedas em troca de publicações pró-Flávio Bolsonaro e pede investigação eleitoral
A coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) solicitou, nesta quinta-feira (8), à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE), a abertura de investigação sobre a distribuição de criptomoedas em troca de publicações favoráveis à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, durante a campanha do segundo turno das eleições de 2026, levantando suspeitas de propaganda eleitoral remunerada irregular e eventual compra de votos.
Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, a representação tem como alvo os responsáveis pelo projeto Brasil 22 Token, que oferece unidades da criptomoeda B22 como recompensa pela divulgação da iniciativa nas redes sociais, incluindo um programa que promete distribuir 30 mil tokens para cada uma das primeiras mil pessoas que publiquem conteúdos no Instagram, X ou TikTok.
Um dos episódios apresentados pela coligação envolve o grupo infantil de dança HypersKids, de Uganda, que teria recebido 120 milhões de tokens na quarta-feira (7), valor equivalente a aproximadamente R$ 104,5 mil na cotação informada nesta quinta-feira, sendo que, apenas 11 minutos após a transferência, o perfil do grupo, com cerca de 12,9 milhões de seguidores, publicou um vídeo no qual crianças vestidas com camisetas da marca B22 aparecem incentivando o voto no número 22.
A publicação também mencionou Flávio Bolsonaro, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o influenciador Pablo Marçal, enquanto a coligação de Lula sustenta que as recompensas oferecidas pelo projeto podem caracterizar uma forma irregular de financiamento de propaganda eleitoral, situação que deverá ser analisada pelas autoridades competentes.
Embora o site do Brasil 22 Token afirme que a distribuição das criptomoedas ocorre independentemente de voto, preferência política ou divulgação de propaganda eleitoral, os representantes da coligação argumentam que mensagens divulgadas em outros canais associariam os benefícios financeiros ao incentivo ao voto no candidato do PL.
Diante das suspeitas, a coligação solicitou a preservação de registros de perfis nas redes sociais, informações de um grupo no Telegram e dados de movimentações realizadas por meio da plataforma Binance, além de requerer a abertura de investigação criminal para esclarecer a origem dos recursos e identificar os responsáveis pelas transferências.
Até o momento relatado pela reportagem original, a Procuradoria-Geral Eleitoral ainda não havia analisado o pedido, sendo importante destacar que as suspeitas apresentadas pela coligação não representam comprovação de irregularidade eleitoral ou participação direta de Flávio Bolsonaro nas operações investigadas.
Fonte: jornalista Mateus Oliver










