Opinião do Oliver: O Risco Fiscal da Bahia e a Aceleração do Endividamento Sem Precedentes
A onda de empréstimos solicitados e aprovados pelo Governo do Estado da Bahia, sob a gestão de Jerônimo Rodrigues, levanta sérias preocupações que transcendem a habitual disputa política e adentram o campo da responsabilidade fiscal e do futuro financeiro dos baianos.
O volume impressionante de operações de crédito, que se aproxima dos R$ 26 bilhões em menos de três anos, não pode ser visto apenas como um “necessário plano de investimentos”; ele representa, sobretudo, uma aposta arriscada e uma hipoteca significativa sobre as receitas futuras do Estado, com potencial impacto na capacidade de investimento das próximas gestões.
A retórica de que os recursos visam cobrir uma “demanda reprimida” de investimentos, supostamente causada por entraves em gestões passadas, é conveniente, mas não justifica a velocidade vertiginosa e a falta de detalhamento com que esses pedidos têm sido protocolados na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA).
Os projetos de lei chegam com justificativas amplas e genéricas, muitas vezes insuficientes para convencer sobre a real prioridade e a eficácia na aplicação de cada bilhão solicitado.
O jornalista, que acompanha de perto a política regional, percebe a preocupação que isso gera a sensação é de que o governo está buscando uma solução de crédito rápido, mas com consequências lentas e graves para o equilíbrio orçamentário.
O endividamento é uma ferramenta válida, claro, mas a forma como está sendo utilizado sugere uma tentativa de cumprir promessas de campanha e selar apoios políticos no “fiado”, priorizando o calendário eleitoral em detrimento da sustentabilidade econômica.
A crítica se torna ainda mais pertinente quando se observa o destino dos recursos, que incluem grandes obras de infraestrutura e mobilidade.
É fundamental que a população entenda que, embora obras como a aquisição de trens e melhorias viárias sejam necessárias, o custo real delas será pago por gerações, através de juros e da vinculação de receitas estaduais como garantia.
O fato de o Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA) já ter alertado sobre a ineficácia e a paralisação em obras anteriores que receberam recursos, adiciona uma camada de ceticismo sobre a capacidade atual de gestão de aplicar um volume tão massivo de dinheiro de forma eficiente e transparente.
O alto volume de endividamento, portanto, levanta a suspeita de que ele está sendo usado para compensar uma possível ineficiência na gestão e arrecadação próprias do Estado, em vez de ser um mero complemento para investimentos estratégicos.
É imperativo que o Ministério Público e o Tribunal de Justiça, já acionados sobre o tema, e a própria ALBA, exerçam um papel fiscalizador mais rigoroso, exigindo a máxima transparência sobre a origem, o custo total (incluindo juros) e o cronograma detalhado de cada empréstimo.
O jornalista Mateus Oliver, ao analisar o cenário, vê um risco real de a Bahia se tornar refém de suas dívidas, limitando a margem de manobra dos próximos governantes para lidar com crises ou investir em áreas sociais cruciais que não geram o mesmo apelo político-eleitoral.
A responsabilidade fiscal exige cautela, e a velocidade do endividamento atual do Estado da Bahia é motivo de profunda preocupação para todos aqueles que se importam com a saúde financeira de longo prazo da nossa região.
Fonte: Jornalista Mateus Oliver












