Gasolina com 32% de etanol começa a valer em agosto e especialistas explicam impactos para motoristas
A gasolina brasileira passará por uma mudança a partir de agosto com o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro, que subirá para 32%, a alteração tem gerado dúvidas entre motoristas sobre possíveis impactos no consumo, desempenho dos veículos, autonomia e durabilidade dos motores, principalmente em relação aos carros flex e aos modelos mais antigos movidos exclusivamente a gasolina.
Segundo especialistas, a mudança não deve provocar grandes alterações no funcionamento dos veículos mais modernos, já que os motores flex foram desenvolvidos para trabalhar com diferentes proporções de gasolina e etanol, no entanto, alguns efeitos podem ser percebidos principalmente em relação ao rendimento do combustível e ao comportamento do veículo em determinadas situações.
O engenheiro especialista em eletrificação e professor do Senai Camaçari, David William Dias, explica que a gasolina possui maior densidade energética e, por isso, oferece maior autonomia, enquanto o etanol tende a proporcionar maior potência e respostas mais rápidas do motor, mas exige um consumo maior para gerar a mesma quantidade de energia.
Nos veículos flex, essa diferença já faz parte do projeto dos motores, que funcionam em um equilíbrio entre os dois combustíveis, por isso a alteração na composição da gasolina pode causar pequenas mudanças no desempenho, mas a tendência é que sejam discretas nos modelos mais recentes.
Em relação ao consumo, a gasolina continuará apresentando vantagem quando o objetivo for percorrer maiores distâncias com menor volume de combustível, já o etanol pode oferecer maior desempenho em arrancadas e acelerações, porém apresenta menor eficiência energética por possuir menor densidade de energia.
Outro ponto levantado por especialistas é a durabilidade dos componentes do motor, a gasolina possui propriedades lubrificantes superiores por ser derivada do petróleo, enquanto o etanol tem maior capacidade de retenção de umidade, característica que pode influenciar alguns componentes do sistema de combustível ao longo do tempo.
Apesar disso, a expectativa é que os veículos modernos estejam preparados para conviver com a nova mistura, enquanto carros mais antigos movidos apenas a gasolina podem sentir mais os efeitos, principalmente em partidas a frio, já que o etanol exige uma temperatura maior para atingir o funcionamento ideal.
Para o consumidor, a escolha entre gasolina e etanol continuará dependendo principalmente da relação de preços encontrada nos postos, a tradicional comparação entre os valores dos combustíveis deve continuar sendo utilizada para definir qual opção apresenta melhor custo-benefício em cada situação.
Além dos impactos econômicos e mecânicos, o aumento da mistura de etanol também possui uma justificativa ambiental, já que o biocombustível contribui para elevar a octanagem da gasolina, reduzir a emissão de poluentes e ampliar a utilização de uma fonte renovável produzida no Brasil.
A recomendação para os motoristas é acompanhar o comportamento do veículo após a mudança, realizar as manutenções preventivas e observar o consumo médio apresentado pelo automóvel, especialmente em modelos mais antigos que podem ser mais sensíveis à alteração da composição do combustível.











