A rejeição ao candidato ao Governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) passou a integrar com maior intensidade o debate político após o confronto entre os postulantes ao Palácio de Ondina realizado pela Band no último domingo (9), segundo material divulgado com base na pesquisa Real Time Big Data desta terça-feira (11), o ex-prefeito de Salvador teria alcançado 44% de rejeição, índice que vem sendo utilizado por adversários para questionar sua capacidade de ampliar o eleitorado durante a campanha.

A tentativa de relacionar diretamente esse percentual ao desempenho de ACM Neto no debate, entretanto, deve ser analisada com cautela, já que uma pesquisa realizada próxima ao encontro não permite, isoladamente, estabelecer relação de causa e efeito entre a participação do candidato no programa e eventual mudança em sua rejeição.

Durante o debate, ACM Neto foi alvo de críticas dos adversários sobre diferentes aspectos de sua passagem pela Prefeitura de Salvador, incluindo questões relacionadas à educação, saúde e transporte público, enquanto o candidato do União Brasil apresentou sua própria avaliação da gestão municipal e direcionou críticas ao governador Jerônimo Rodrigues (PT) e aos governos petistas na Bahia.

O confronto também evidenciou uma estratégia eleitoral marcada pela troca de críticas entre os dois principais grupos políticos que disputam o Governo do Estado, de um lado, aliados de Jerônimo procuram questionar a imagem administrativa construída por ACM Neto durante seus dois mandatos como prefeito de Salvador, do outro, a oposição concentra seus ataques nos quase 20 anos consecutivos em que PT e aliados permanecem à frente do Governo da Bahia.

Outro assunto utilizado politicamente contra ACM Neto envolve sua posição na eleição presidencial e a candidatura de Flávio Bolsonaro, adversários tentam associar o candidato do União Brasil ao campo bolsonarista, enquanto o posicionamento e as alianças nacionais deverão permanecer entre os temas explorados ao longo da campanha.

As críticas também alcançaram o programa de governo de ACM Neto, inclusive pelo uso de ferramentas de inteligência artificial em seu processo de elaboração, porém, caracterizar o documento como desprovido de propostas para o interior representa uma avaliação política dos adversários e não uma conclusão objetiva sobre seu conteúdo.

Apesar do aumento do tom entre governistas e oposicionistas, a disputa pelo Governo da Bahia apresenta cenário de equilíbrio, levantamento Real Time Big Data realizado em março já mostrava ACM Neto com 44% e Jerônimo Rodrigues com 39%, dentro de uma campanha que desde então passou por novas movimentações e maior exposição dos candidatos.

Com a campanha avançando, rejeição, capacidade de crescimento e desempenho nos debates deverão se tornar elementos importantes das estratégias eleitorais, enquanto ACM Neto tenta sustentar sua imagem de gestor e apresentar-se como alternativa ao grupo que governa a Bahia desde 2007, Jerônimo e seus aliados buscam confrontar essa narrativa e ampliar o peso da atual administração estadual na comparação entre os dois projetos políticos.

Fonte: jornalista Mateus Oliver