Relatório da PF aponta ACM Neto como liderança de grupo investigado na Operação Overclean
Um relatório sigiloso da Polícia Federal obtido pela CNN Brasil aponta o candidato ao Governo da Bahia ACM Neto, do União Brasil, como liderança de uma organização investigada por suspeitas de obtenção de recursos públicos através de contratos superfaturados, no âmbito da Operação Overclean, porém as informações fazem parte de uma investigação ainda em andamento e não representam condenação ou reconhecimento definitivo de responsabilidade criminal.
Segundo a CNN, o documento foi elaborado a partir dos elementos reunidos nas fases da operação e também registra 232 contatos entre ACM Neto e o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, entre agosto e dezembro de 2024, com base em registros encontrados no aparelho celular do empresário, enquanto a investigação apura suspeitas de direcionamento de licitações e contratos públicos.
O relatório citado pela reportagem também menciona movimentações consideradas atípicas pelos investigadores, incluindo dinheiro em espécie transportado em malas por aeronaves fretadas, além da suposta atuação de integrantes do grupo em estruturas da administração municipal de Belo Horizonte, contudo a divulgação disponível não estabelece que todo o dinheiro transportado tenha pertencido ou sido diretamente movimentado por ACM Neto.
A existência da investigação em Belo Horizonte é confirmada oficialmente pela própria Polícia Federal, que informou ter deflagrado em 17 de setembro a décima fase da Operação Overclean para apurar possível atuação de organização criminosa em contratações realizadas entre 2024 e 2025, com suspeitas de direcionamento de procedimentos relacionados ao fornecimento de serviços e materiais didáticos, sendo que pelo menos três contratos analisados ultrapassam juntos R$ 80 milhões.
Ainda de acordo com as informações obtidas pela CNN, a Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal autorização para realizar busca e apreensão contra ACM Neto e pediu o bloqueio de até R$ 77,8 milhões em bens e valores, enquanto o procurador-geral da República Paulo Gonet apresentou manifestação favorável às diligências solicitadas pelos investigadores.
O ministro Kassio Nunes Marques, relator do caso no STF, entretanto, rejeitou as medidas contra ACM Neto por considerar que os elementos apresentados não eram suficientes para justificar busca e apreensão e bloqueio de bens em relação ao candidato, embora tenha autorizado outras diligências contra diferentes investigados no processo.
ACM Neto nega participação em qualquer irregularidade e afirma que seu nome está sendo associado indevidamente à investigação por meio de vazamentos seletivos, classificando a divulgação das suspeitas como tentativa de interferência no processo eleitoral, enquanto sua defesa sustenta que ele não participou dos fatos investigados.
A Operação Overclean permanece em andamento e as suspeitas levantadas pela Polícia Federal ainda dependem do avanço das investigações e da apreciação do Poder Judiciário, não havendo, até o momento, condenação de ACM Neto relacionada aos fatos descritos no relatório divulgado pela imprensa.
Fonte: jornalista Mateus Oliver | Com informações da Polícia Federal, CNN Brasil, UOL e Folha de S.Paulo












