:: 23/jul/2026 . 10:43
Anuário aponta Jequié na sexta posição entre as cidades mais violentas do Brasil e líder em letalidade policial
Jequié deixou a segunda colocação e passou a ocupar o sexto lugar no ranking dos municípios brasileiros com as maiores taxas de Mortes Violentas Intencionais, conforme o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública com dados referentes ao ano de 2025.
O levantamento considera somente cidades com população igual ou superior a 100 mil habitantes e utiliza como critério a quantidade de mortes violentas para cada grupo de 100 mil moradores, indicador que reúne homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais.
Em 2025, Jequié contabilizou 114 Mortes Violentas Intencionais, alcançando taxa de 67,4 mortes por 100 mil habitantes e ficando na sexta colocação nacional, atrás de Maranguape, no Ceará, Eunápolis, Maracanaú, Porto Seguro e Simões Filho.
Ranking das cidades com as maiores taxas de mortes violentas em 2025
| Posição | Município | Estado | Taxa por 100 mil habitantes |
|---|---|---|---|
| 1º | Maranguape | CE | 100,3 |
| 2º | Eunápolis | BA | 85,1 |
| 3º | Maracanaú | CE | 80,7 |
| 4º | Porto Seguro | BA | 71,2 |
| 5º | Simões Filho | BA | 68,1 |
| 6º | Jequié | BA | 67,4 |
| 7º | Caucaia | CE | 66,6 |
| 8º | Cabo de Santo Agostinho | PE | 65,1 |
| 9º | Santa Rita | PB | 60,9 |
| 10º | Juazeiro | BA | 55,8 |
A Bahia aparece com cinco municípios entre os dez primeiros colocados, com Eunápolis, Porto Seguro, Simões Filho, Jequié e Juazeiro, sendo o estado com maior presença no ranking nacional apresentado pelo documento.
Comparação entre 2024 e 2025
Na edição anterior, elaborada com os registros de 2024, Jequié aparecia na segunda posição nacional, com 131 mortes violentas e taxa de 77,6 por 100 mil habitantes. Em 2025, o total caiu para 114 vítimas e a taxa recuou para 67,4.
| Indicador | 2024 | 2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| Posição nacional em MVI | 2ª | 6ª | Queda de quatro posições |
| Número de mortes violentas | 131 | 114 | 17 mortes a menos |
| Taxa de MVI | 77,6 | 67,4 | Redução de 10,2 pontos |
| Mortes por intervenção policial | 44 | 32 | 12 mortes a menos |
| Taxa de letalidade policial | 26,1 | 18,9 | Redução de 7,2 pontos |
| Participação policial nas MVI | 34% | 28% | Queda de 6 pontos percentuais |
A redução de 131 para 114 mortes representa queda aproximada de 13% no número de vítimas, enquanto a taxa caiu cerca de 13,1%. Mesmo com a melhora, Jequié continuou entre as dez cidades com os índices mais elevados do país.
Jequié também é a sexta em letalidade policial
O Anuário mostra que Jequié também ocupa a sexta colocação nacional entre os municípios com as maiores taxas de Mortes Decorrentes de Intervenções Policiais, considerando novamente apenas cidades com pelo menos 100 mil habitantes.
Durante 2025, foram registradas no município 32 mortes decorrentes de ações das polícias, correspondentes a uma taxa de 18,9 mortes por 100 mil habitantes. Essas ocorrências representaram 28% das 114 mortes violentas intencionais contabilizadas em Jequié, o equivalente a mais de uma em cada quatro mortes.
Ranking nacional de letalidade policial
| Posição | Município | Estado | Taxa de MDIP | MVI | Mortes policiais | Participação nas MVI |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1º | Porto Seguro | BA | 32,3 | 130 | 59 | 45% |
| 2º | Eunápolis | BA | 29,7 | 103 | 36 | 35% |
| 3º | Marituba | PA | 28,5 | 63 | 34 | 54% |
| 4º | Itabaiana | SE | 22,0 | 32 | 24 | 75% |
| 5º | Simões Filho | BA | 19,1 | 82 | 23 | 28% |
| 6º | Jequié | BA | 18,9 | 114 | 32 | 28% |
| 7º | Lauro de Freitas | BA | 18,2 | 81 | 40 | 49% |
| 8º | Luís Eduardo Magalhães | BA | 17,7 | 53 | 21 | 40% |
| 9º | Japeri | RJ | 17,6 | 36 | 18 | 50% |
| 10º | Macapá | AP | 17,2 | 177 | 84 | 47% |
Seis das dez cidades com as maiores taxas de letalidade policial são baianas, sendo elas Porto Seguro, Eunápolis, Simões Filho, Jequié, Lauro de Freitas e Luís Eduardo Magalhães.
Redução da letalidade policial em Jequié
Jequié havia registrado taxa de 26,1 mortes por intervenção policial em 2024, quando ocupava a quinta posição nacional, mas passou para 18,9 em 2025, caindo para o sexto lugar. A redução foi de aproximadamente 27,6% na taxa de letalidade policial.
Em números absolutos, as mortes causadas por intervenções policiais caíram de 44 para 32, uma redução de 27,3%, enquanto a participação dessas ocorrências no conjunto das mortes violentas diminuiu de 34% para 28%.
Mesmo com a queda, a taxa de Jequié permaneceu aproximadamente seis vezes superior à média brasileira, que foi de 3,1 mortes por intervenção policial para cada 100 mil habitantes em 2025. O próprio Anuário destaca que a repetição de nove municípios no ranking de um ano para o outro demonstra a manutenção de uma lógica de confronto, em prejuízo de ações preventivas e de inteligência.
Os números completos de Jequié
- 6ª cidade com maior taxa de mortes violentas do Brasil
- 6ª cidade com maior taxa de letalidade policial do Brasil
- 114 mortes violentas intencionais em 2025
- Taxa de 67,4 mortes violentas por 100 mil habitantes
- 32 mortes decorrentes de intervenções policiais
- Taxa de letalidade policial de 18,9 por 100 mil habitantes
- 28% das mortes violentas foram decorrentes de intervenções policiais
- 17 mortes violentas a menos em comparação com 2024
- 12 mortes por intervenção policial a menos que em 2024
- Queda de quatro posições no ranking geral
- Queda de uma posição no ranking de letalidade policial
O Anuário não apresenta, especificamente para Jequié, a divisão das mortes por bairro, sexo, idade ou raça das vítimas, quantidade municipal individualizada de feminicídios, latrocínios e estupros, autoria dos crimes, número de inquéritos concluídos ou índices de elucidação. Portanto, esses detalhes não podem ser atribuídos ao município apenas com base no documento.
Apesar da redução registrada entre 2024 e 2025, os dados mostram que Jequié continua em situação grave, aparecendo simultaneamente entre os dez municípios com as maiores taxas de mortes violentas e entre aqueles com maior letalidade policial do país.
Fonte: jornalista Mateus Oliver
- 1











