O candidato a deputado federal Bebeto Galvão, do PSD, intensificou nas últimas semanas uma verdadeira peregrinação eleitoral pelo interior da Bahia em busca de apoios, lideranças e votos para retornar à Câmara dos Deputados, passando por municípios como Guaratinga, Nova Viçosa, Itabatã, Teixeira de Freitas, Eunápolis, Alcobaça, Vitória da Conquista e Itambé, em uma movimentação que busca ampliar sua base política principalmente no Extremo Sul e no Sudoeste do estado, regiões estratégicas para a disputa de 2026.

A movimentação, porém, abre uma pergunta inevitável para quem já ocupou uma cadeira em Brasília entre 2015 e 2019, afinal, quais investimentos concretos Bebeto destinou durante seu mandato anterior justamente para as cidades onde agora aparece pedindo apoio e defendendo maior representatividade política, já que a atual campanha apresenta o ex-deputado como uma alternativa para levar as demandas desses municípios ao Congresso Nacional.

Em Eunápolis, por exemplo, Bebeto afirmou durante sua agenda eleitoral que o município ainda carece de vozes capazes de levar suas demandas para além das fronteiras regionais, uma declaração politicamente forte, mas que também acaba se voltando contra o próprio candidato, porque ele já teve quatro anos de mandato federal e, nas buscas realizadas até agora por esta reportagem, não foi localizado um conjunto de grandes emendas individuais destinado ao município que corresponda ao protagonismo que ele agora promete oferecer caso retorne a Brasília.

A mesma cobrança pode ser feita em municípios como Guaratinga, Teixeira de Freitas, Alcobaça, Vitória da Conquista e Itambé, todos incluídos na recente ofensiva eleitoral do candidato, onde Bebeto tem buscado aproximação com lideranças políticas, empresários, movimentos sociais, trabalhadores e eleitores, mas onde não apareceu até o momento, nas pesquisas públicas realizadas para esta matéria, um histórico de grandes investimentos individuais de seu antigo mandato proporcional à intensidade com que essas cidades passaram a ser visitadas em pleno ano eleitoral.

O contraste fica ainda mais evidente quando se observa Ilhéus, município onde há registros objetivos de atuação parlamentar do ex-deputado, Bebeto destinou cerca de R$ 3 milhões para obras em áreas de risco, incluindo aproximadamente R$ 1,5 milhão para contenção no Alto do Socorro, R$ 245 mil para projetos de engenharia e cerca de R$ 1,4 milhão para intervenções no Alto do Nerival, além de outros recursos para saúde, desenvolvimento urbano e reforma da Central de Abastecimento, demonstrando que, quando houve atuação parlamentar concreta, ela deixou rastros financeiros que podem ser identificados no orçamento federal.

É justamente essa diferença que torna a atual expansão eleitoral de Bebeto pelo interior uma questão legítima para o eleitor, se em Ilhéus existem números, obras e emendas facilmente identificáveis, por que o mesmo histórico não aparece com a mesma força em várias das cidades onde o candidato agora desembarca prometendo representação, ouvindo demandas e construindo alianças.

A situação ganha ainda mais peso porque Bebeto não é um estreante na política nacional, ele já teve acesso direto ao Orçamento da União, estrutura parlamentar, assessoria e instrumentos para apresentação de emendas, portanto, diferentemente de candidatos que disputam uma vaga pela primeira vez, ele possui um mandato anterior que permite ao eleitor comparar aquilo que está sendo prometido agora com aquilo que foi efetivamente entregue quando teve oportunidade de atuar em Brasília.

Não há, até o momento, elementos para afirmar que Bebeto tenha deixado deliberadamente de ajudar qualquer desses municípios ou que não tenha realizado nenhuma ação em favor dessas regiões, já que atuação parlamentar também pode ocorrer por meio de emendas de bancada, articulações ministeriais, projetos legislativos e outras iniciativas que nem sempre aparecem em pesquisas simples, mas a ausência de grandes investimentos individuais facilmente identificáveis em parte das cidades visitadas torna legítima a cobrança por transparência e prestação de contas.

Se Bebeto pretende utilizar como argumento eleitoral a necessidade de dar voz aos municípios do interior, também terá de responder onde estava essa mesma prioridade entre 2015 e 2019, período em que já ocupava uma cadeira na Câmara e possuía exatamente os instrumentos que hoje promete utilizar caso seja novamente eleito.

Com a campanha de 2026 avançando, a expansão territorial do candidato pode lhe render novos apoios, mas também coloca seu mandato anterior sob uma lupa ainda maior, porque cada visita, cada discurso sobre abandono regional e cada promessa de representação abre espaço para uma pergunta simples que o eleitor pode fazer antes de decidir o voto, quanto Bebeto realmente destinou para minha cidade quando já teve a oportunidade de representar a Bahia em Brasília.

Fonte: jornalista Mateus Oliver, com levantamento baseado em registros públicos, dados do Orçamento da União e informações divulgadas sobre a agenda eleitoral de Bebeto Galvão