Gestão Sheila Lemos vira vitrine problemática para ACM Neto após novas denúncias na Saúde de Vitória da Conquista
A gestão da prefeita Sheila Lemos voltou ao centro das críticas em Vitória da Conquista após moradores da zona rural denunciarem dificuldades para conseguir atendimento na Unidade Básica de Saúde Régis Pacheco, estrutura inaugurada recentemente pela própria Prefeitura como símbolo de modernização e fortalecimento da Atenção Básica.
O episódio também provoca reflexos políticos para ACM Neto, principal liderança estadual do União Brasil e aliado da prefeita, uma vez que Vitória da Conquista é tratada como uma das bases mais importantes do seu grupo no interior da Bahia e ocupa espaço estratégico nas articulações eleitorais de 2026.
Sheila Lemos participou recentemente de encontros políticos com ACM Neto e reafirmou sua presença no projeto eleitoral liderado pelo ex-prefeito de Salvador, enquanto o grupo trabalha para consolidar Vitória da Conquista como um dos principais palanques da oposição no Sudoeste baiano.
Entretanto, enquanto a prefeita fortalece sua atuação no cenário político estadual, reclamações relacionadas à Saúde municipal continuam chegando à imprensa, expondo uma distância entre o discurso de eficiência da administração e a realidade relatada por usuários que dependem diariamente dos serviços públicos.
Segundo denúncia encaminhada ao jornalista Mateus Oliver, um morador procurou a Unidade Régis Pacheco para agendar um exame de ecocardiograma em caráter de urgência, mas teria sido informado de que o procedimento estava disponível somente para pacientes com até 14 anos.
Ao questionar qual seria a alternativa oferecida para adultos e idosos, o usuário afirma que não recebeu uma solução, apenas a informação de que a funcionária responsável cumpria orientações repassadas internamente.
Posteriormente, uma consulta foi marcada para o dia 11 de junho de 2026, às 8 horas, como o casal reside na zona rural, o paciente e a esposa relatam que saíram de casa às 6 horas para chegar ao posto dentro do horário determinado pela própria unidade.
De acordo com a denúncia, o médico teria chegado por volta das 9h10 e seguido para uma sala onde acontecia uma confraternização, enquanto pacientes permaneciam aguardando atendimento e explicações sobre o atraso.
Durante a espera, a esposa do paciente entrou em contato com a Ouvidoria Municipal para questionar a demora e a suposta limitação etária imposta ao ecocardiograma, segundo ela, o próprio setor informou desconhecer qualquer restrição para pacientes com mais de 14 anos.
A contradição entre a orientação transmitida dentro da unidade e a resposta apresentada pela Ouvidoria levanta questionamentos sobre a organização interna da Secretaria Municipal de Saúde, já que um paciente com solicitação urgente não pode ser submetido a informações desencontradas sobre a disponibilidade de um exame.
Após procurar a direção do posto, a usuária afirma que houve um desentendimento envolvendo a gerente e o médico, conforme o relato, o profissional teria declarado que não atendia moradores da zona rural e que abriria uma exceção naquele caso.
Caso a declaração seja confirmada, a Secretaria Municipal de Saúde deverá explicar quais critérios estão sendo aplicados no atendimento da unidade, sobretudo porque a nova sede do Régis Pacheco foi anunciada para atender mais de 12 mil famílias, incluindo comunidades rurais cadastradas no serviço.
A gerente teria mantido a informação de que o ecocardiograma era oferecido somente para pacientes com até 14 anos e orientado a mulher a procurar novamente a Ouvidoria, ao final do episódio, ela afirma que deixou a unidade sem receber atendimento.
O caso ganha ainda mais peso porque a UBS Régis Pacheco foi inaugurada em 26 de maio de 2026, após investimento anunciado de aproximadamente R$ 1,6 milhão, na ocasião, Sheila Lemos afirmou que a nova estrutura ofereceria mais conforto e qualidade no atendimento prestado à população.
Poucas semanas depois da inauguração apresentada como um momento histórico, usuários já relatam demora, falta de informações claras e dificuldade para acessar serviços, mostrando que prédios modernos e cerimônias de entrega não garantem, por si só, atendimento eficiente.
A situação se soma a outras cobranças envolvendo a Atenção Básica, a estrutura de postos, a falta de equipamentos, a necessidade de profissionais e a sobrecarga das unidades hospitalares de Vitória da Conquista.
A gestão Sheila Lemos precisa demonstrar que a prioridade dada às articulações políticas também é aplicada à administração dos serviços essenciais, sobretudo na Saúde, onde atrasos, falhas de comunicação e ausência de atendimento podem provocar consequências diretas na vida dos pacientes.
Para ACM Neto, que busca apresentar seu grupo político como alternativa de gestão para a Bahia, os problemas registrados em Vitória da Conquista representam um desgaste relevante, pois a cidade é comandada por uma das prefeitas mais próximas do seu campo político e frequentemente utilizada como referência da força do União Brasil no interior.
ACM Neto não administra a Secretaria Municipal de Saúde e não possui responsabilidade direta pelo atendimento denunciado, mas não pode ignorar o desempenho de uma gestão que integra seu principal núcleo de apoio político no Sudoeste e participa ativamente da construção do seu projeto eleitoral.
A ligação política entre Sheila e ACM Neto foi reafirmada durante eventos e reuniões recentes, inclusive com articulações em torno das eleições de 2026 e do lançamento da candidatura do marido da prefeita, Wagner Alves, para deputado estadual.
Enquanto os palanques são montados e as alianças eleitorais ganham destaque, moradores seguem cobrando algo mais básico e urgente, o direito de chegar a uma unidade de saúde, receber informações corretas e sair com o atendimento garantido.
Os usuários informaram que registraram reclamações na Ouvidoria e na Secretaria Municipal de Saúde, além de avaliarem encaminhar a denúncia ao Conselho Regional de Medicina da Bahia e ao Ministério Público.
O espaço permanece aberto para manifestação da prefeita Sheila Lemos, da Secretaria Municipal de Saúde, da direção da Unidade Régis Pacheco e do médico citado, especialmente sobre a restrição do ecocardiograma, o atendimento destinado aos moradores da zona rural, o atraso relatado e a confraternização que teria acontecido durante o horário das consultas.
Fonte: jornalista Mateus Oliver











