A poucos dias das principais definições sobre as candidaturas que disputarão as eleições de outubro, partidos e federações intensificaram as articulações para fechar alianças, escolher candidatos, definir chapas majoritárias e organizar as estratégias eleitorais em todo o país.

O período das convenções partidárias começa nesta segunda-feira (20) e seguirá até 5 de agosto, conforme o calendário estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral para as Eleições Gerais de 2026.

Durante as convenções, partidos e federações poderão confirmar os candidatos aos cargos de presidente da República, governador, senador, deputado federal e deputado estadual, além de deliberar sobre a formação de coligações nas disputas majoritárias.

No cenário presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá chegar às convenções com uma aliança mais consolidada entre os partidos da esquerda, enquanto os principais nomes da oposição ainda buscam ampliar suas bases de apoio.

Lula deverá contar inicialmente com PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede, PSB e PDT, reunindo as principais legendas de esquerda com representação no Congresso Nacional em torno de sua pré-candidatura à reeleição.

Apesar do apoio consolidado nesse campo político, dirigentes petistas ainda mantêm conversas com partidos de centro, como MDB e PSD, que poderão adotar posições diferentes em cada estado ou liberar seus diretórios para firmarem alianças regionais.

Nas eleições de 2022, Lula iniciou a campanha apoiado por uma coligação formada por partidos como PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede, Solidariedade, Avante, Pros e Agir, recebendo posteriormente o apoio de outras legendas durante o segundo turno.

O cenário de 2026 indica que o presidente deverá manter uma base expressiva entre os partidos progressistas, embora a composição definitiva da coligação somente seja conhecida após as convenções e os registros oficiais das candidaturas.

Do outro lado da disputa, o senador Flávio Bolsonaro deverá ser confirmado como candidato do PL à Presidência, mas ainda enfrenta dificuldades para atrair partidos de direita e centro-direita para uma coligação no primeiro turno.

Até o momento, nenhuma grande legenda anunciou formalmente participação na chapa presidencial do PL, cenário diferente do registrado em 2022, quando Republicanos e Progressistas integraram a coligação encabeçada pelo então presidente Jair Bolsonaro.

A candidatura de Flávio Bolsonaro recebeu o apoio político do pai, mas não conseguiu até agora unificar todo o campo conservador, que também possui pré-candidaturas próprias e lideranças interessadas em disputar o Palácio do Planalto.

A expectativa é que o PL confirme a candidatura durante sua convenção nacional, enquanto partidos como Republicanos, Podemos, Progressistas e União Brasil ainda avaliam suas estratégias nacionais e priorizam a eleição de grandes bancadas no Congresso.

O Republicanos poderá optar pela neutralidade, embora a possibilidade de ocupar a vice-presidência na chapa de Flávio Bolsonaro ainda seja apontada como uma alternativa capaz de modificar o cenário.

O Podemos também não confirmou apoio a nenhum candidato e poderá liberar seus dirigentes ou permanecer neutro durante o primeiro turno.

Além de Lula e Flávio Bolsonaro, a disputa presidencial deverá contar com nomes como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos, que inicialmente possuem o apoio de seus próprios partidos e tentam ampliar suas alianças antes do encerramento das convenções.

Caiado, Zema e Renan já indicaram que poderão apoiar o candidato de oposição que avançar ao segundo turno, caso nenhum deles consiga chegar à etapa final da eleição.

Pesquisas divulgadas nos últimos meses colocam Lula e Flávio Bolsonaro entre os principais nomes da disputa, mas o cenário permanece sujeito a alterações após a confirmação das candidaturas, o início da propaganda eleitoral e a definição das alianças nacionais.

Disputa pelo Governo da Bahia

Na Bahia, as alianças apresentam características diferentes das articulações nacionais, já que diversos partidos poderão adotar posições específicas no estado, independentemente da decisão tomada por suas direções nacionais.

O governador Jerônimo Rodrigues deverá disputar a reeleição com apoio de uma ampla base formada inicialmente por PT, PCdoB, PV, PSD, MDB, PSB, Avante e PDT.

O PSD baiano, comandado pelo senador Otto Alencar, permanece na base governista estadual, apesar das movimentações nacionais da legenda e das possíveis candidaturas presidenciais vinculadas ao partido.

O MDB da Bahia também deverá permanecer ao lado de Jerônimo Rodrigues, ainda que nacionalmente a legenda possa adotar neutralidade ou apoiar outro projeto presidencial.

O Avante confirmou participação na chapa governista ao anunciar que seu presidente estadual, Ronaldo Carletto, ocupará a primeira suplência de Rui Costa na disputa pelo Senado.

O PDT, que durante parte do atual mandato esteve mais próximo do grupo de oposição, passou a integrar a base do Governo da Bahia e deverá participar da aliança pela reeleição de Jerônimo.

Na oposição, ACM Neto deverá disputar novamente o Governo da Bahia liderando uma coligação formada pelo União Brasil e por partidos que atuam no campo de centro-direita.

Entre as legendas apontadas como possíveis integrantes da aliança estão Progressistas, Republicanos, PSDB, Cidadania, Podemos e PL, porém a composição definitiva ainda dependerá das convenções e das negociações em andamento.

ACM Neto declarou anteriormente que pretende formar uma aliança menor do que a registrada em 2022, quando sua candidatura contou com 13 partidos, destacando que trabalha com a possibilidade de reunir quatro ou cinco legendas na campanha de 2026.

O ex-prefeito de Salvador também vem recebendo apoio de prefeitos e lideranças do Progressistas em diferentes regiões da Bahia, enquanto mantém conversas com Republicanos, PL e outras siglas oposicionistas.

As convenções deverão confirmar ainda os nomes para vice-governador e para as duas vagas ao Senado que estarão em disputa neste ano.

Além de Jerônimo Rodrigues e ACM Neto, o PSOL deverá apresentar candidatura própria ao Governo da Bahia, tendo Ronaldo Mansur como nome apontado para representar a federação formada pelo partido e pela Rede.

Mesmo com as articulações avançadas, as alianças ainda poderão sofrer mudanças até 5 de agosto, principalmente em razão das negociações envolvendo as vagas de vice-governador, Senado e suplências.

Após o encerramento das convenções, os partidos terão de registrar oficialmente as candidaturas na Justiça Eleitoral, quando será possível conhecer de forma definitiva quais nomes e coligações estarão nas urnas em outubro.

Fonte: jornalista Mateus Oliver